Renato Aragão emociona público em “Os Saltimbancos Trapalhões”

OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES – O MUSICAL (2014)

Não é necessário ser fã do quarteto “Os Trapalhões” para emocionar-se com o espetáculo “Os Saltimbancos Trapalhões”, em cartaz na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. O musical inspirado no filme homônimo de 1981 traz o humorista Renato Aragão aos palcos pela primeira vez. Com mais de 50 anos de carreira e quase 50 filmes no currículo, Didi – como é conhecido popularmente – mostra que não perdeu as características que fazem dele até hoje um dos maiores artistas do país. Em casa, Aragão diverte-se, aproveita cada respirada de seus colegas para encaixar uma piada, mostra um fôlego impressionante e um carisma sem igual. Que a tela da televisão e a tela do cinema amam Renato, todo mundo já sabia. Em “Os Saltimbancos Trapalhões”, o palco mostra que o sentimento é igual.

A entrada de Aragão em sua primeira cena é espetacular. Difícil esperar outra coisa da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho. Profissionais, eles sabem o que fazem e tornaram a peça uma homenagem grandiosa com centenas de detalhes capazes de arrancar lágrimas até dos mais durões. Das cenas do protagonista, o número “Meu Caro Barão” e o momento em que conversa sobre o amor com João (interpretado por sua filha, Lívian Aragão) são destaques que fazem o alto valor dos ingressos e o longo caminho até o afastado teatro valerem à pena.

Além de Renato Aragão, o elenco conta com 27 atores, cantores, bailarinos e acrobatas que abrilhantam ainda mais as canções compostas por Chico Buarque. Entre eles, Dedé Santana e Roberto Guilherme trazem um ar de saudosismo aos fãs de “Os Trapalhões”. Tadeu Mello, que trabalhou com Renato em “A Turma do Didi” (1998) também está presente. No elenco destacam-se as impecáveis e divertidíssimas Adriana Garambone (Tigrana) e Ada Chaseliov (Zorastra). No papel de Karina, interpretada por Lucinha Lins na versão cinematográfica, Giselle Prates arranca aplausos, suspiros e muitos elogios. Em determinado momento da canção “História de uma Gata”, Prates canta de ponta cabeça e dá um show. João Gabriel Vasconcellos (Frank) e Augusto Arcanjo (cachorro) também roubam a cena em diversos momentos.

OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES – O MUSICAL (2014)


Criado por Rogério Falcão, o cenário é um caso à parte. Quando as cortinas se abrem e o circo é mostrado pela primeira vez, é possível ficar sem respirar. Com incontáveis detalhes, mas sem perder a simplicidade necessária para caracterizar a trupe, o desenho poderia ficar estático que o público não se importaria em analisar uma criação tão cuidadosa durante as duas horas e meia de espetáculo. Diversos elementos entram e saem de cena de forma lúdica, acrescentando mais momentos inesquecíveis ao musical. Argolas, panos e todo o aparato necessário ao grupo para as acrobacias são somadas aos carros, jaulas e leões.

Os figurinos de Luciana Buarque são outro ponto que vale qualquer sacrifício. São tantas cores, texturas, estampas e volumes que é impossível descrevê-los detalhadamente. É possível perder-se – no melhor significado da palavra – ao reparar em cada suspensório, luva, liga ou par de meias utilizados pelo elenco. A artista conseguiu colorir de maneira divertida até os antagonistas. Somado ao cenário, o figurino colabora de forma eficaz com os demais elementos que transformam “Os Saltimbancos Trapalhões” em um sonho ao vivo.

OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES – O MUSICAL (2014)

Os pontos negativos do espetáculo ficam por conta da longa abertura e dos maus hábitos de parte da plateia. No primeiro, uma confusa série de acontecimentos é mostrada em pequenas cenas que juntas parecem durar uma eternidade. O palco praticamente fechado, o elenco em apenas um canto do espaço e as projeções simples e descritivas em uma tela no centro colaboram para tornar o início o único momento desinteressante do espetáculo. No segundo, algumas crianças não conseguem manter-se em silêncio durante o espetáculo, atrapalhando a concentração do público e do elenco. Nada mais comum em um espetáculo com forte apelo infantil. Diversos adultos, famílias e mesmo crianças que conseguem se comportar nesse tipo de evento se sentiram incomodadas pela frequência e altura das interrupções.

Seria uma solução colocar idade mínima em determinadas sessões ou fazer matinês para um público específico? Talvez. Fato é que nenhum detalhe que foge às mãos da produção estraga o que “Os Saltimbancos Trapalhões” significa. Não é “só” a possibilidade de ver Renato Aragão dando vida ao personagem Didi ao vivo. É a possibilidade de vê-lo fazendo o que sabe fazer ao lado de um elenco brilhante, dirigidos por quem entende do assunto em um teatro fantástico, abraçado por uma produção deslumbrante.

Arô? Ainda não viu essa peça biita? Cuma? O musical fica em cartaz somente até o dia 30 de novembro. Ô psit! Você pode ter mais informações clicando aqui. Ô da poltrona! Não perca a oportunidade de conferir esse espetáculo fantástico!