Reynaldo Gianecchini surpreende com interpretação em “A Toca do Coelho”

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Não, nós não somos do time que acha Reynaldo Gianecchini um ator ruim. Muito pelo contrário. Mas não é por isso que deixaríamos de nos surpreender com a impecável interpretação do ator em “A Toca do Coelho”, em cartaz no Teatro FAAP, em São Paulo. Surpreendentemente, seu trabalho ultrapassa sua beleza estonteante. A peça tem muitos pontos positivos, mas é realmente difícil concentrar-se em algo que não seja ele. Nem o deslumbrante charme e o inegável talento de Maria Fernanda Cândido consegue destacar-se ao lado de Giane. “A Toca do Coelho” é o primeiro trabalho inédito do ator após curar-se do câncer linfático que foi notícia por muitos meses no país. Mais maduro, muito mais seguro e ainda mais bonito, o ator não escorrega em nenhum momento: seus gestos são precisos, a história parece fazer parte de sua vida e cada sentimento é passado com clareza apenas com o olhar profundamente atraente do astro.

E o texto traz uma montanha-russa de emoções. Ganhador do prêmio Pulitzer de Dramaturgia em 2007 e de um Tony*, “Rabbit Hole” – o nome original do texto de David Lindsay-Abaire – fala sobre o drama vivido por Paulo e Becca após perder o filho de 4 anos em um acidente. As diferentes formas de lidar com a perda, com o sofrimento e com a vida que segue, modifica o dia-a-dia do casal e da família presente na vida de ambos. Quando a luta diária parece começar a dar resultado, a presença de Jason – o adolescente que atropelou e matou a criança – mexe ainda mais com o emocional de todos.

*Cynthia Nixon, a Miranda de “Sex and the City”, conquistou o Tony de Melhor Atriz em 2006 por sua interpretação da personagem Becca na produção de Nova York.

Apesar da abordagem e discussão do assunto serem novas em uma peça montada no Brasil, da alta carga emocional e da dramaticidade intensa, o texto segue uma linha sem grandes acontecimentos. Dirigida pelo excêntrico Dan Stulbach, o destaque fica por conta das interpretações completamente diferentes umas das outras, deixando claro o posicionamento e a personalidade de cada personagem. Além do casal principal, Selma Egrei (excelente no papel da mãe de Becca, Nat), a exagerada Simone Zucato (Isa, irmã de Becca) e o jovem Felipe Hintze (o incompreensível Jason) completam o elenco. Com cenário criativo e muito bem pensado do experiente André Cortez – que transformou a casa em um labirinto de encontros e desencontros e altos e baixos – e figurino de Adriana Hitomi, a produção chama atenção pelo excelente desenho de luz de Marisa Bentivegna, que emociona em diversos momentos, como quando são exibidos vídeos da infância de Dani (o filho morto do casal) nas paredes e teto do espaço e quando o contorno da casa (totalmente branca) preenche-se de vermelho.

Mesmo com algumas cenas cômicas, o público não soube se comportar. E o problema não eram apenas as risadas altas fora de hora. Formado em sua maioria por meninas que suspiravam pela presença de Gianecchini sem a menor pretensão de passarem despercebidas, os adultos que completavam a plateia lotada conversavam casualmente e não faziam questão de esconder a dificuldade em abrir suas balas ou garrafas d’água como se estivessem assistindo à novela.

“A Toca do Coelho” com Reynaldo Gianecchini e Maria Fernanda Cândido é um drama diferente que vale a pena. Uma peça inovadora, bem produzida e feita por artistas competentes. Em cartaz no Teatro Faap (Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo, SP) às sextas (21h30), sábados (21h00) e domingos (18h00). Os ingresso vão de R$40,00 (meia) a R$100 (inteira). Mais informações no site do Teatro Faap. Até 15/12.

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