Rosamaria Murtinho comemora 60 anos de carreira ao lado de Letícia Spiller

(Foto: Carol Beiriz)

Acompanhadas por um grande elenco, Rosamaria Murtinho e Letícia Spiller sobem ao palco do Teatro Cetip, em São Paulo, para uma curta temporada do espetáculo “Dorotéia”. Escrita por Nelson Rodrigues (1912-1980), a peça estreou no Rio de Janeiro em 1950, com direção do polonês Zbigniew Ziembiński (1908-1978). A versão dirigida por Jorge Farjalla roda o Brasil desde 2016, comemorando os 60 anos de carreira de Murtinho.

Embora a atriz tenha começado sua carreira no teatro, Rosamaria Murtinho ficou conhecida pelo grande público por inesquecíveis papéis na televisão como Isabel, de “A Muralha” (1968); Matilde, de “Roque Santeiro” (1975); Cecília, de “Cambalacho” (1986); Romana, de “A Próxima Vítima” (1995); Margot, de “Chocolate com Pimenta” (2003); e Tamara, de “Amor à Vida” (2013). Em “Dorotéia”, Murtinho interpreta a protagonista Dona Flávia.

Prima mais velha de Dorotéia (Spiller), Dona Flávia (Murtinho) e suas duas irmãs, Maura (Alexia Deschamps) e Carmelita (Jaqueline Farias), são viúvas que sentiram náuseas ao se relacionar com seus maridos. Condenadas à negação do corpo e da sexualidade, as irmãs recusam abrigo à prima, uma ex-prostituta que manteve relacionamentos com diversos homens em sua vida. Para ficar na casa, Dorotéia é obrigada a se livrar de sua beleza exuberante.

(Foto: Carol Beiriz)

Em um texto inteligente, formado por grandes monólogos que, às vezes, prejudicam o ritmo do espetáculo, Rosamaria Murtinho e Letícia Spiller se destacam com as grandes interpretações de suas difíceis personagens.

Com Dona Flávia, Murtinho pode ser vista em um papel diferente de tudo que já fez. A atriz deixa de lado seu contagiante sorriso e se entrega à mulher amarga e fanática por defender seus ideais à qualquer custo. Em cena, a artista de 77 anos atira palavras que formam frases fortíssimas, se contorce no chão e exibe os cabelos naturalmente grisalhos em prol de uma das maiores vilãs criadas por Nelson Rodrigues.

Spiller se despe não só de suas roupas, mas de sua vaidade, ao se colocar em um papel onde a beleza é questionada e apontada como uma maldição. O empenho na preparação vocal e corporal da atriz é perceptível e inquestionável, bem como a dedicação em se transformar, de maneira convincente, em uma personagem que se envolve em um universo marcado por obsessões psicológicas que, apesar de realista, apresenta situações míticas.

(Foto: Carol Beiriz)

Desenhada para se apresentar em teatros de arena, a nova versão de “Dorotéia” foi adaptada para o Teatro Cetip com cerca de 100 lugares no palco, que contornam a casa de Dona Flávia. O público fica dentro do fantástico cenário assinado por José Dias: uma floresta formada por árvores em tamanho real, com galhos que preenchem o teto e folhas secas que cobrem o chão. Não há interação do elenco com a plateia. De perto, é possível conferir os detalhes do deslumbrante figurino criado por Lulu Areal, com destaque para o primeiro vestido usado por Spiller e para todas as peças usadas pelo elenco masculino.

Os homens não possuem falas, mas participam de cenas específicas. O conjunto formado por André Américo, Daniel Martins, Du Machado, Fernando Gajo, Pablo Vares e Rafael Kalil é responsável pela trilha sonora executada ao vivo. A direção musical é de João Paulo Mendonça e as canções originais são de Mendonça em parceria com Leila Pinheiro e Fernando Gajo. Completam o elenco Anna Machado e Dida Camero.

(Foto: Carol Beiriz)

“Dorotéia” está em cartaz no Teatro Cetip (Rua Coropés, 88 – Pinheiros), em São Paulo, sextas (21h), sábados (21h) e domingos (19h). Os ingressos podem ser encontrados através do site oficial da Tickets For Fun e custam de R$35,00 (meia) a R$110,00 (inteira). O espetáculo possui duração de 90 minutos e é proibido para menores de 16 anos. “Dorotéia” fica em cartaz inicialmente até 02 de julho. Imperdível. Estrela1 Estrela1 Estrela1 Estrela1

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