RPM, Biquini Cavadão e Titãs dividem o palco no festival “Live Sessions”

COLABORAÇÃO: Edson Bortolotte

A banda RPM abriu o festival “Live Sessions” no Citibank Hall, em São Paulo, no último dia 26. Na mesma noite a casa ainda recebeu as bandas Biquini Cavadão e Titãs.

Fotos: Cíntia Carvalho (Setor VIP)

Fotos: Cíntia Carvalho (Setor VIP)

Pontualmente, o grupo liderado por Paulo Ricardo tomou conta do palco e ofereceu a um público ainda modesto, um show cheio de canções clássicas e hits dos anos 80. Abrindo com a popular “Rádio Pirata”, a banda foi acompanhada pelo coro da plateia que, aos poucos, começava a lotar o espaço da casa, acompanhando canções como “Juvenília” e “Alvorada Voraz”. Com mais de 30 anos de carreira e um sólido repertório, o RPM ainda encontrou espaço para homenagear Cazuza em um cover de “Exagerado”. Com uma pontinha de critica social, antes de mandar uma de suas canções mais conhecidas, “Olhar 43”, Paulo Ricardo desabafou: “Não dá para aceitar o que está acontecendo na Petrobras”, referindo-se a uma série de recentes acusações a funcionários da estatal sobre lavagem de dinheiro.

Em seguida, o palco foi tomado pelo grupo Biquini Cavadão que, com uma energia jovial mas um desempenho veterano, levaram o público ao êxtase e fizeram o show mais bem criticado da noite. O vocalista Bruno Gouveia protagonizou uma série de pequenos espetáculos no palco com danças, descontração e uma performance surpreendente, com direito a mosh. A banda também fez críticas a problemas do país: “Esses caras merecem cadeia”, disse Gouveia referindo-se aos políticos corruptos. No setlist da banda, clássicos como “Impossível”, “Janaína” e a recente canção “Roda Gigante”, foram acompanhados por um público que gritava a plenos pulmões. Em “No Mundo da Lua”, um fã foi convidado a subir no palco e dividir o microfone com Bruno que, antes de executar “Múmias”, fez uma simplória homenagem ao líder da Legião Urbana que teve sua voz inserida na regravação da música em 2001, 5 anos após sua morte: “Que falta faz Renato Russo”.

Fotos: Cíntia Carvalho (Setor VIP)

Fotos: Cíntia Carvalho (Setor VIP)

Para fechar a noite, a banda paulistana Titãs ocupou o palco às 00h45 e fez um show de pouco mais de 1 hora de duração. Entre sucessos como “AA UU”, “Polícia” e “Flores”, houve espaço para apresentar três músicas ineditas do disco que será lançado em breve: “Precisamos da paciência de vocês”, disse o vocalista e tecladista Sérgio Britto antes de engatar “Fardado” que, assim como outras músicas da banda, faz uma clara crítica à postura da polícia no Brasil. Depois seguiram com as também inéditas “Chegada ao Brasil (Terra à Vista)”, com vocal de Branco Mello, e “Mensageiro da Desgraça”, cantada por Paulo Miklos. Ainda mostrando que o rock nacional acompanha as mazelas do país, os Titãs apresentaram as já conhecidas do público “Desordem” e “Vossa Excelência”, ambas com letras que condenam problemas políticos e sociais.

Fotos: Cíntia Carvalho (Setor VIP)

Fotos: Cíntia Carvalho (Setor VIP)

Paulo Miklos convidou Bruno Gouveia para voltar ao palco e acompanhá-lo na execução de “Sonífera Ilha” e no bis a banda mandou “Família” e “É Preciso Saber Viver”. Ao final do espetáculo, uma plateia cansada e satisfeita deixou a casa de shows aos poucos, levando na memória a frase dita por Paulo Ricardo no começo do festival: “Algumas pessoas acham que o rock nacional está em extinção, mas estamos aqui para provar o contrário”.