Sandy apresenta-se sem novidades para plateia lotada em São Paulo

A cantora Sandy apresentou-se mais uma vez no HSBC Brasil em São Paulo. Com o mesmo figurino da estreia da turnê e poucas mudanças no setlist, a artista empolgou o público em poucos momentos: “Estava com saudade! Obrigada pelo carinho e espero que vocês se divirtam”, disse dando início à apresentação. Apesar dos ingressos esgotados, o show calmo e sem grandes novidades manteve a plateia quieta por grande parte do espetáculo: “Esse show tem um repertório variado, mas uma lógica para existir”, contou antes da interpretação de “Se Deus Me Ouvisse”, canção conhecida na voz de seu tio e seu pai, Chitãozinho e Xororó. Apesar do arranjo impecável e da voz afinadíssima, o texto decorado não emociona o público: “Foi minha primeira inspiração, minha primeira referência musical e quando eu notei que queria ser cantora. Essa inspiração é meu pai”, finalizou.

Foto: Taiz Dering

Foto: Taiz Dering

Em meio ao entra e sai desnecessário de um banco que Sandy usa cenicamente para diferenciar suas canções praticamente idênticas, “novidades” como “Casa” de Lulu Santos e “Bad” de Michael Jackson, aparecem no repertório. Novidade entre aspas pois a primeira fez parte de sua turnê anterior “Manuscrito” e a segunda foi sua pior interpretação durante o show “Sandy canta Michael Jackson”, que a artista mostrou pelo país de 2011 à 2012: “Muito chique, gente!”, brincou. “Foi muito marcante para mim, é uma das coisas que eu mais gosto de cantar”, justificou sobre a canção escolhida do ídolo morto em 2009. “Todas as músicas tem um significado especial para mim e a próxima me marcou pois foi a primeira vez que não me viram como uma artista mirim e sim como uma cantora de verdade”, disse antes de entoar “Águas de Março”. Aos 13 anos, Sandy apresentou-se em um especial em homenagem à cantora Elis Regina com a famosa música, desde então a canção pôde ser ouvida regularmente na voz da artista, que apesar da interpretação brilhante – que Sandy só conquistou com o tempo! -, não chama a atenção dos admiradores com a faixa que já deu o que tinha que dar.

Veja a linda apresentação da cantora Sandy no especial Elis Regina:

http://www.youtube.com/watch?v=FSjASPK_VRc

O primeiro grande número ficou a cargo de “All Star”, que embora não seja inédito na voz da cantora, é uma das canções que ainda não se tornaram repetitivas em seu repertório: “Essa música foi trilha sonora de muitas viagens especias há dez anos”, explicou: “Sempre gostei de Cássia Eller e dessa parceria com o Nando Reis”. O segundo momento mais marcante da apresentação foi quando cantou “Morada”, faixa de sua autoria: “Uma das músicas que eu mais me orgulho por ter composto. Eu fico arrepiada quando a galera canta no show!”, emocionou-se. Equivocada, Sandy agradeceu ao público por saber de cor uma de suas composições “novas”. Mais de 6 meses após o lançamento do disco “Sim”, onde encontra-se a canção, a cantora deveria estar acostumada com a letra de sua criação na boca de seus fãs. A letra de “Morada” (“Não me deixe preencher com vazios o espaço que é só teu, não se encante em outro canto se aqui comigo você já fez morada”) é triste e romântica da maneira certa, sem exageros e sem ser piegas e Sandy foi ovacionada.

Ouça a canção “Morada”:

http://www.youtube.com/watch?v=25lxw-VuvFk

“A próxima música é uma das minhas favoritas e cantei em 2007 em homenagem ao meu irmão em nosso último show”, seguiu com o texto decorado e com as canções não inéditas ao entoar “Angel”, da canadense Sarah McLachlan. Pouco antes do final, Sandy acordou a plateia – que não tinha vontade nem mais de segurar suas máquinas ou celulares para registrarem o momento – com a famosa “Não Dá Pra Não Pensar” e com a enjoativa “A Lenda”, ambas da época de sua parceria com seu irmão Junior. Aliás, ocupando a primeira fila ao lado da sempre presente Noely, estavam Otávio de Moraes e sua esposa Dani Monaco, conhecidos por qualquer fã da dupla. O primeiro, baterista dos artistas durante anos, foi o responsável por grande parte do desenvolvimento do jovem músico com o instrumento, além de participar de quase todos os discos dos irmãos e, inclusive, fazer a direção musical de alguns de seus shows. Dani Monaco foi backing vocal e compôs letras importantes com Sandy e Junior.

Foto: Taiz Dering

Foto: Taiz Dering

A cantora despediu-se de seu show sem emocionar o público que urrava por sua presença marcante em tempos áureos. A proposta da artista é claramente outra e, apesar das declarações dúbias de que faz o seu trabalho sem preocupar-se com o retorno, o desapontamento de grande parte da plateia é visível. No centro do palco, um tapete demarca o espaço mínimo em que Sandy se movimenta. Apesar de sorridente e de mostrar-se agradecida, a artista é incapaz de mover-se até as extremidades do palco para ficar mais próxima às pessoas. No bis, quando seus fãs espremem-se para chamar sua atenção, a cantora nem pensa em cumprimentá-los. O fato poderia até ser desculpado caso Sandy abrisse as portas de seu camarim para receber meia dúzia de admiradores além dos poucos sorteados por seu fã-clube que são atendidos antes da apresentação, mas ela se esquece – mais uma vez – de agradar o público e vai embora deixando centenas de pessoas a ver navios.

O talento e a beleza de Sandy são indiscutíveis, mas para que a cantora continue a trilhar o seu caminho de sucesso é necessário fazer apresentações mais criativas e pensar um pouco mais em sua plateia. O show “Sim” ainda teve em seu setlist músicas como “Aquela dos 30”, “Pés Cansados”, “Quem Eu Sou”, “Ela/Ele”, “Escolho Você” e “Ponto Final”. A próxima apresentação da turnê da artista é no dia 8 de dezembro em Porto Alegre.

Sandy canta “Quem Eu Sou” em São Paulo:

http://www.youtube.com/watch?v=OJpbr0gT2oE

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