Saulo: “Gosto de gente e minha profissão me aproxima das pessoas”

(Foto: Filipe Vicente / Setor VIP)

São quatro horas da manhã de sábado (07). O camarim de Saulo está lotado e bastante barulhento. Há uma fila de fãs do lado de fora da sala torcendo para que o artista os atenda. O show que acaba de acontecer na Audio, casa de espetáculos localizada na Zona Oeste de São Paulo, é o primeiro após o merecido descanso pós-Carnaval do cantor. Foram 50 dias de férias. Mesmo com a quase inexistente divulgação do espetáculo e a baixa procura antecipada por ingressos, a apresentação estava lotada. O público estava com saudade.

Saulo interrompe os inúmeros abraços para conversar com exclusividade com o Setor VIP. Apesar de rápida, a entrevista rende. O cantor responde as perguntas em uma velocidade incomum para um artista baiano, mas com o sorriso no rosto e o brilho nos olhos característicos de quem é natural de uma das regiões do país mais amadas pelos brasileiros. Intitulado “Que Amor é Esse?”, o espetáculo durou cerca de duas horas e trinta minutos. “Você deve estar cansado, né?”, pergunto. “Não estou, não. Estou feliz e felicidade não cansa!”, pontua docemente.

(Foto: Filipe Vicente / Setor VIP)

Você fala bastante sobre Barreiras, cidade onde viveu sua infância, e sobre Salvador, onde ganhou grande destaque como artista. Qual a importância dessas cidades na sua vida e as principais lembranças que tem dessas regiões?
Barreiras é o lugar onde nasci e onde minha vida musical começou por influência da família, desde pequeno. Em 1995, antes de passar em Salvador eu vou para o Espírito Santo, onde fico por um ano cantando música da Bahia. E aí vou para Salvador para viver um sonho. Formo uma banda chamada Chica Fé, onde fico por cinco anos. Ganho o prêmio de Cantor Revelação do Carnaval e entro na Banda Eva no ano seguinte. Fico onze anos na Eva. Estou há quatro anos em carreira solo. (pausa) Quando você é adolescente no interior da Bahia, você tem o sonho de ir para Salvador. Aí quando você vira pai de família, mais maduro, você quer voltar para a sua terra para se reconhecer. Estava em Barreiras na semana passada!

Sua vida musical começou em Barreiras, então todas as suas primeiras lembranças em relação à música foram vividas na cidade…
Todas, todas!

Quais a lembrança mais antiga que você tem memória?
Meu tio Bosco tocando e minha tia Edna cantando. Meus tios tocando e me apresentando música boa. “Isso aqui é Milton Nascimento. Isso aqui é Elis Regina. Isso aqui é Djavan e é incrível!”, sabe? (saudosista) E o violão. Tenho uma foto de quando eu tinha um ano em que estou com um violão enorme e bem pequenininho atrás. (sorri) Tinha uma coisa meio predestinada. (pausa) Me parece que eu não tive outra opção se não a música, sabe? Desde sempre.

As referências musicais que você teve em sua infância foram tão fortes que você as mantém até hoje, certo?
Sim! Meu tio Bosco, por exemplo, é meu mestre. Como te falei, estive em Barreiras na semana passada exatamente para perguntar a ele “e aí, faço o quê agora?”, sabe? (risos) Ele faz o papel de mentor, fica me orientando. É um cara por quem eu tenho muito respeito. E esses outros artistas sempre foram influência para mim e continuam sendo. Meus discos estão todos guardados, sempre que estou perdido eu vou até lá e me acho.

O que te motiva a subir no palco?
Cara, a primeira motivação é a música. Eu vim para a Terra para cantar. Meu dom é de Deus. Depois, eu sou um cara que gosta muito de gente, sabe? Meu pai sempre me disse isso. Gente! De se esfregar em gente! (imita) Então, me parece que eu estou na profissão certa, sabe? (risos) Faço dessa minha profissão uma maneira de me aproximar das pessoas e desmistificar um pouco essa coisa do palco, porque o palco é grande, tem luz e você acha que o cara é maior (alonga as vogais), mais do que de fato é. Tenho aprendido a cada vez mais ser menos, ser real, ser pela música. Só pela música.

Você é um artista que trata o público com muito carinho, independente do gênero. Essa atenção que você tem pelas pessoas acaba te trazendo uma plateia diversificada, incluindo o público gay…
O que é maravilhoso!

É intencional direcionar sua carreira sem privilegiar um determinado público?
A música é o meu sonho de igualdade. Quando eu faço música, projeto isso. Muita gente fala sobre público-alvo. O que é público-alvo? Minha música não escolhe quem vai emocionar. Quero gente diferente, quero diversidade. Quanto mais melhor. Se tiver um ET de Marte, de Júpiter… (risos) Gays, homens, mulheres, velhos, crianças… eu quero todo mundo, cara! Eu acho que a música liberta. Daniela Mercury fala que a maior das revoluções é a alegria.(cantarola) “Essa alegria é minha fala que declara a revolução, revolução” e eu acredito nisso. Nelson Cavaquinho dizia que sua alegria é dor, que quer passar com sua dor, né? Eu não! Eu peço licença para passar com alegria! A alegria traz leveza, sobretudo no momento atual que a gente vive, né? Odioso, raivoso… (pausa) Acho que se você vem em um show de música da Bahia, você sai… porra, bicho! (empolgado) As letras podem ser muito “oba oba” (risos), às vezes podem não fazer tanto sentido, mas você sai leve. A percussão também traz isso, sabe? Então, eu não quero escolher ninguém. Quero que as pessoas venham ver o show e se emocionem. Quero que a música toque seja lá quem for. (declama) “Respeito quem vem de lá, seja quem for. Eu desejo o universo mais diverso, discordo se ele vem com verdade única. Eu quero sonhos e várias possibilidades.”

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(Foto: Filipe Vicente / Setor VIP)