Taís Araújo divide as telas com Mr. Catra em “O Roubo da Taça”

COLABORAÇÃO: Carol Thieri

(Foto: Carol Thieri / Setor VIP)

(Foto: Carol Thieri / Setor VIP)

Inspirado no sumiço da taça Jules Rimet, que a Seleção Brasileira de Futebol conquistou após vencer três vezes a Copa do Mundo, “O Roubo da Taça”, quarto longa-metragem do diretor Caito Ortiz (de “Estação Liberdade”, 2013), acaba de chegar às salas de cinema de todo o país. Taís Araújo (“Pixinguinha”, 2014), Paulo Tiefenthaler (apresentador do programa de culinária Larica Total, do Canal Brasil), Danilo Grangheia (do espetáculo teatral “Krum”, 2015), Milhem Cortaz (de “Tropa de Elite”), Fábio Marcoff (“El Mate”, 2015), Stepan Nercessian (“Deus é Brasileiro”, 2003) e Leandro Firmino (“Cidade de Deus”, 2002) formam o elenco que enaltece a comédia, e que tem participação do cantor Mr. Catra.

O roteiro escrito por Caito em parceria com o genial Lusa Silvestre (“Estômago”, 2007), traz fatos verídicos e quase inacreditáveis da história que parou o Brasil em 1983, quando uma dupla de assaltantes entrou na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e roubou a taça que estava na sala do presidente. A réplica que deveria estar exposta no local, estava no cofre por engano, fazendo com que os criminosos levassem o prêmio original. No dia seguinte, a polícia, o exército e os fuzileiros estavam à procura do ladrão para recuperar o patrimônio. A partir de notícias de jornais da época, diretor e roteirista começaram a escrever o filme. “Existem basicamente duas fontes de informação sobre a taça: as matérias que saíram nos jornais da época, que tem aquele cheirinho de fungo, e uma história publicada no America Online, que não existe mais. Essa matéria foi o ponto de partida para esse filme”, conta Lusa. “O Roubo da Taça” é conduzido com humor e qualidade. Alguns fatos na ficção de Ortiz e Silvestre, podem ter acontecido, mas são imaginativos. Assim surgiu a personagem Dolores, interpretada por Taís Araújo, uma figura feminina que serve para ligar as pontas que estavam soltas no filme. “Muitas histórias ficaram de fora. Só seria possível contar todas se fosse uma minissérie, mas não é exatamente tudo verdade, é do jeito que a gente acha que deve ter acontecido”, afirma Lusa.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Dolores é uma mulher cheia de tesão pelo marido, passa horas no espelho e sonha com uma vida melhor. “Para compor a personagem, pensei nas musas da década de 80. Tinha em minha lembrança a atriz Adele Fátima, toda a caracterização foi baseada nela”, conta Taís. O personagem principal, Peralta, é um vendedor de seguros cheio de lábia, viciado em jogos e que acredita que um dia irá ficar rico, um típico malandro de Copacabana. “Tenho a experiência do Larica e da minha vida em Copacabana. Conheço bem o Peralta. O personagem fecha um ciclo, porque fui parar no filme por causa do Larica”, revela Tiefenthaler. A ideia do roubo surge quando o malandro resolve se livrar das dívidas e cuidar melhor de Dolores. Com ajuda do seu amigo Borracha (interpretado por Grangheia), invadem a sede da CBF e levam a taça para casa, percebendo no dia seguinte que fizeram a maior besteira de suas vidas, uma vez que estavam sendo procurados em todo o país. Peralta e Borracha começam a busca por um comprador para a taça e acabam entrando em várias confusões, até conhecerem o ourives argentino Armando (Fábio Marcoff), que é o único a se interessar pelo objeto.

“O Roubo da Taça” venceu o prêmio de público no Festival South by Southwest 2016 – conhecido como SxSW – em Austin, no Texas (EUA) e, no Festival de Gramado, levou quatro kikitos: Melhor Roteiro para Lusa Silvestre e Caito Ortiz, Melhor Direção de Arte para Fabio Goldfarb, Melhor Fotografia para Ralph Strelow e Melhor Ator para Paulo Tiefenthaler. O longa-metragem destaca a paixão pelo futebol que todo brasileiro tem, mas também discute a situação política do Brasil na década de 80, final da ditadura, onde a inflação estava no auge e o desemprego era um grande problema. Apesar do momento delicado, a mídia estava voltada para o roubo da taça de futebol. “O Roubo da Taça” evidencia, com elegância e humor, a identidade de parte do povo brasileiro, com aquele jeitinho de sempre querer se dar bem e, mesmo que as coisas não deem certo, ainda conseguindo sorrir.