Teatro Oficina comemora 50 anos de “O Rei da Vela”

(Foto: Jennifer Glass)

No último final de semana, chegou ao fim a mais recente temporada do espetáculo teatral “O Rei da Vela”, no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Comemorando 50 anos desde a estreia e celebrando os 80 anos de José Celso Martinez Corrêa e de Renato Borghi, o Teatro Oficina retomou a peça com a intenção de mostrar a necessidade do texto nos dias atuais. Como um expressivo protesto em relação aos quadros político e econômico no Brasil, o Teatro Oficina aproveita a mensagem para defender seu posicionamento quanto à exploração imobiliária, ponto diretamente ligado à luta judicial que a companhia trava há décadas com o Grupo Silvio Santos.

Zé Celso batalha para que Silvio abra mão de construir torres comerciais no terreno ao lado do Teatro Oficina, prejudicando o funcionamento do empreendimento e cobrindo a janela projetada por Lina Bo Bardi (1914-1992), que possui uma vista única da cidade de São Paulo. O Teatro Oficina é tombado, ou seja, considerado patrimônio cultural por seu valor histórico, e recebeu diversas menções dentro e fora do país como um dos teatros mais bonitos do mundo. Mesmo com a intervenção do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do prefeito da cidade de São Paulo, João Doria, que oferecem ao empresário qualquer outro terreno para a construção de seus prédios comerciais, permitindo que o atual seja transformado em um parque público, Silvio Santos reafirma seu não interesse em colaborar com a preservação do histórico teatro.

(Foto: Jennifer Glass)

Escrito por Oswald de Andrade (1890-1954) após a crise financeira de 1929, o espetáculo estreou nos palcos 30 anos depois de sua publicação. Com direção de Zé Celso e protagonizada por Renato Borghi, a peça se tornou um marco na história do teatro brasileiro por debochar da realidade política, social e econômica do país em plena ditadura militar. Além disso, “O Rei da Vela” surgiu em meio à explosão da Tropicália, movimento que se manifestava através da arte contra as ideologias políticas e as violentas ações dos militares na época. Caetano Veloso, um dos principais nomes da Tropicália, compôs a melodia de “Canção de Jujuba”, presente em “O Rei da Vela”.

Além da direção, Zé Celso retorna aos palcos dando vida à Dona Poloquinha, interpretada originalmente por Dirce Migliaccio (1933-2009). Desde 1967, Renato Borghi vive Abelardo I, papel que não chegou a ser interpretado por outro ator, apesar das diversas temporadas do espetáculo e naturais mudanças de elenco. Atualmente vivido por Tulio Starling, Abelardo II foi interpretado por José Wilker (1944-2014) entre 1970 e 1971. Hélio Eichbauer assume novamente a direção de arte, recriando de maneira fiel o cenário de 1967, incluindo o palco giratório, ideia que Zé Celso aplicou no espetáculo inspirado nas criações da companhia alemã Berliner Ensemble, fundada por Bertolt Brecht (1898-1956). Um dos pontos altos da cenografia é a referência à arte moderna brasileira, com influência de artistas como Anita Malfatti (1889-1964) e Tarsila do Amaral (1886-1973).

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(Foto: Vitor Penteado)

“O Rei da Vela” terá uma apresentação especial na próxima sexta-feira (24), no Teatro Paulo Autran, localizado no Sesc Pinheiros (Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros), em São Paulo, mas os ingressos estão esgotados. Para os sortudos, o espetáculos possui cerca de 3h30 de duração, além de dois intervalos de 20 minutos cada, e classificação indicativa para maiores de 16 anos. Informações adicionais sobre “O Rei da Vela” ou demais espetáculos do Sesc Pinheiros, acesse o site oficial do evento. Para conhecer um pouco mais sobre o Teatro Oficina, acesse a página oficial da companhia. Estrela1 Estrela1

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