Titãs lotam Audio Club para gravação de “Nheengatu”

COLABORAÇÃO: Cíntia Carvalho

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A banda Titãs apresentou-se na Audio Club, em São Paulo, na sexta-feira (24), para a gravação do nono DVD de sua carreira, intitulado “Nheengatu”. Baseado no álbum homônimo lançado no final de 2014, o disco e o show foram bem criticados por fãs e pela mídia especializada. O trabalho marca o retorno do grupo ao rock pesado. Para a apresentação que celebra o sucesso da mais recente jornada, os Titãs foram cuidadosos ao selecionar, entre seu vasto repertório, as músicas que fizeram parte do setlist.

A abertura do show ficou por conta da canção “Fardado”, primeira faixa do disco e um dos hits do novo álbum. Mascarados, assim como no clipe de divulgação da música, os Titãs, acompanhados do baterista Mario Fabre, subiram ao palco à meia noite. Ovacionados pelo público que se dividia entre adolescentes e quarentões, a banda se apresentou em uma sintonia indiscutível.

O rock cru do novo disco é um prato cheio para registrar essa fase e os Titãs exploram isso muito bem. Além das músicas de “Nheengatu”, canções clássicas como “Desordem”, “Jesus Não tem Dentes no País dos Banguelas”, “Homem Primata” e “Diversão” também estão no show. A surpresa fica a cargo da faixa “Pela Paz”, gravada no álbum “Domingo” (1995), sendo a responsável pelo único momento leve da apresentação.

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Embora seu lançamento seja recente, “Nheengatu” conversa diretamente com a fase áurea da banda. Na década de 1980, o grupo estourou com “Cabeça Dinossauro” (1986) e letras críticas e polêmicas, como “Igreja” e “Porrada”, costumavam ficar fora das das apresentações em programas de televisão. As 14 faixas do mais recente disco, possuem as mesmas características, além dos arranjos marcantes e tradicionais da época.

Além do apoio de Fabre (que assumiu a bateria após a saída de Charles Gavin em 2010), os Titãs transformaram-se de uma banda de oito membros em um quarteto: Branco Mello, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto. Os integrantes remanescentes não fazem feio, pelo contrário, preenchem o palco com maestria. Entre os rodopios insanos de Britto e as diversas caretas de Miklos, o grupo mantêm o ritmo do início ao fim.

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Quem esteve no show levará na memória um registro histórico da carreira de um dos mais respeitados grupos de rock do Brasil e um dos mais conscientes em relação aos problemas políticos atravessados pelo país recentemente. Para quem não pôde comparecer, resta aguardar o lançamento do DVD e assistir, no conforto de casa, os Titãs fazerem história na música brasileira mais uma vez.