Traição e violência são discutidos em espetáculo “O Louco e a Camisa”

(Foto: Caio Gallucci)

Um casal conversa na cozinha. Ele lê o jornal. Ela passa a roupa. Não há diálogos coerentes, uma vez que o marido não presta atenção no que a esposa diz. A filha chega em casa para preparar o espaço para receber seu namorado, que apresentará aos pais naquela noite. Para causar uma boa impressão, pede que seu irmão, um jovem que possui deficiência mental, fique trancado em seu quarto durante o jantar. Pouco antes de conhecer o pretendente da filha, a mãe descobre uma mancha de batom em uma das camisas de seu marido. Traição, hipocrisia, padrões, violência e loucura são alguns dos temas discutidos em “O Louco e a Camisa”.

O espetáculo estreou no Brasil em abril no Teatro Porto Seguro. Após a temporada paulista, integrou o calendário do primeiro festival promovido pelo Teatro Vivo. Reestreou em agosto no Teatro Renaissance, local em que a peça permanece até setembro. Entre idas e vindas, o espetáculo ganhou novo cenário e novos atores. Rainer Cadete interpreta o personagem inicialmente de Leonardo Miggiorin e, em sessões eventuais, Patrícia Gasppar substitui Rosi Campos. A atriz se divide entre o espetáculo e a personagem Agustina, uma das protagonistas de “O Tempo Não Para”, nova novela das 19h da Rede Globo.

Embora se assemelhe em muitos momentos ao trabalho de Selton Mello em “A Indomada” (1997), Rainer Cadete supera todos os seus trabalhos anteriores ao interpretar Beto, um menino diagnosticado com deficiência mental. No último sábado (25), a sessão vista pelo Setor VIP teve como protagonista Patrícia Gasppar, impecável no papel da passiva Matilde. Dirigido por Elias Andreato, o excepcional elenco conta com Dudu Pelizzari, Ricardo Dantas e Priscilla Squeff, idealizadora, tradutora e uma das produtoras de “O Louco e a Camisa” no Brasil, ao lado dos sócios Danny Olliveira e Leandro Luna.

Escrito por Nelson Valente, “O Louco e a Camisa” (título original “El Loco y la Camisa”) estreou em Buenos Aires em 2009. Em quase dez anos, o espetáculo participou dos principais festivais do país, além de concorrer e vencer os mais importantes prêmios teatrais da Argentina. Nelson Valente escreveu e dirigiu cerca de 50 peças, muitas sucesso de crítica e público, mas somente “O Louco e a Camisa” ganhou montagens traduzidas em diversos países como Chile, Espanha, Estados Unidos, França e Portugal. Considerado um importante espetáculo do teatro independente argentino, “O Louco e a Camisa” segue em cartaz no Teatro Picadero, em Buenos Aires.

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(Foto: Caio Gallucci)

“O Louco e a Camisa” está em cartaz no Teatro Renaissance (Al. Santos, 2.233 – Cerqueira César), em São Paulo, sextas (21h30), sábados (21h30) e domingos (18h). As entradas custam de R$40,00 (meia) a R$100,00 (inteira) e podem ser adquiridas através do site oficial do Ingresso Rápido. A comédia dramática possui classificação indicativa para maiores de 12 anos e duração de 70 minutos. Até 16 de setembro. Estrela1 Estrela1 Estrela1