Um fim de semana com os Los Hermanos em São Paulo

COLABORAÇÃO: Edson Bortolotte

São Paulo, 24 de outubro de 2015.

7h30. Abro a janela e analiso o céu: o dia está cinza, mas não tão frio como imaginava. Tomo um banho, me visto e saio de casa. Coloco o fone de ouvido, ligo o player em ordem aleatória e a primeira música que toca me lembra: é dia do show dos Los Hermanos!

Nas redes sociais é possível sentir o desespero dos fãs. A busca por ingressos, por companhia, por informações de como chegar ao local. Em meio às mensagens uma chamou minha atenção: “os fãs dos Los Hermanos são os mais chatos do mundo”. Não era uma afirmação nova, mas me autoanalisei como admirador de anos da banda. Os fãs do grupo são empolgados e orgulhosos e querem disseminar o amor pela banda por onde passam. Usam camisetas, tatuam frases de suas canções favoritas, postam vídeos antigos nas redes o tempo todo e colocam os Los Hermanos em pauta sempre que conseguem, mesmo que a discussão seja sobre política, futebol ou religião.

Chatos? Somos, sim.

Vistos no palco pela última vez em 2012, os Los Hermanos deixaram seus fãs órfãos de seu talento. A condição foi temporariamente suspensa com o lançamento do disco solo “Cavalo” (2013), de Rodrigo Amarante, e pela parceria de Marcelo Camelo, com Mallu Magalhães e Fred Ferreira com a Banda do Mar, a partir de 2014.

Mas, como dizem por aí, “Los Hermanos é Los Hermanos”. E quando foram anunciados novos shows da banda, os admiradores do grupo viveram breves momentos de caos. Inicialmente apenas no Rio de Janeiro, o retorno pré-definido despertou uma série de manifestações pelo país, e então a banda anunciou uma agenda que incluía Belém (PA), Recife (PE), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Salvador (BA), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP).

Anhembi, SP. A abertura dos portões estava programada para às 18h e o início do show às 23h. O público chegava por todas as direções. Dentro do espaço havia um mar de pessoas aglomeradas em frente ao palco. Gritos ensurdecedores anunciam o início do espetáculo que teve os ingressos esgotados em poucos minutos. O palco é ocupado pelos músicos de apoio e, finalmente, pelos integrantes da banda. Marcelo Camelo inicia o espetáculo com “O Vencedor” e Rodrigo Amarante com “Retrato Pra Iaiá”.

Os Los Hermanos são conhecidos por suas músicas melancólicas. Com “Sentimental”, o hino dos românticos, a banda uniu os presentes que cantaram a canção envolvidos por um único sentimento e em uma só voz: “eu só aceito a condição de ter você só pra mim, eu sei não é assim, mais deixa eu fingir e rir”. A chuva fina e passageira não diminuiu o calor das mais de 30 mil pessoas. O maior público da carreira da banda, segundo Camelo.

Depois de 25 canções, que incluíram sucessos dos quatro discos da banda, os Los Hermanos retornam ao palco para as músicas “Adeus Você”, “Anna Júlia”, “Quem Sabe” e “Pierrot”, terminando o show com o astral lá em cima.

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(Fotos: Cíntia Carvalho)

São Paulo, 25 de outubro de 2015.

10h30. Abro a janela e analiso o céu: o dia está cinza, mas não tão frio como imaginava. Tomo um banho, me visto e saio de casa. Ligo o computador e leio as notícias sobre o show da noite anterior: é dia do show dos Los Hermanos!

A banda carioca teve suas primeiras canções gravadas em 1997. Formado por Marcelo Camelo, Rodrigo Barba, Bruno Medina e Rodrigo Amarante, o grupo mistura rock com samba e MPB. Em 1999, os Los Hermanos lançaram o disco homônimo, seguido por “Bloco do Eu Sozinho” (2001), “Ventura” (2003) e “4” (2005). Em 2007, a banda anunciou um recesso para novos projetos, deixando incerto o futuro de um dos mais bem-sucedidos grupos brasileiros. Três anos depois, retornaram a parceria para poucas apresentações, e em 2012, movimentaram o país – e o coração dos fãs, com o anúncio de 24 datas pelo Brasil.

Chatos? Somos, sim.

O anúncio da turnê de 2015 deixou todos os fãs, novos ou velhos, ansiosos e com os nervos à flor da pele. A incerteza de quando poderemos estar com a banda novamente, ouvindo suas canções ao vivo, é uma realidade que mexe com os sentimentos mais sinceros de quem ama algo ou alguém. E outra coisa, “Los Hermanos é Los Hermanos”.

Espaço das Américas, SP. A abertura dos portões estava programada para às 18h e o início do show às 20h30. Me posicionei em frente ao palco. Em uma casa menor e mais intimista que o Anhembi, é possível perceber de forma mais clara o entrosamento e a troca entre os membros da banda, que talvez pela novidade do grandioso espetáculo da noite anterior, pouco falou entre si e com o público. O repertório é o mesmo, grande parte da plateia também e não há qualquer problema com isso.

Marcelo Camelo cumprimenta o público e se refere ao show anterior: “Menor e mais juntinho é mais gostoso, mas não contem para eles”, brinca. “Tudo é bom, tudo é gostoso…”, completa Amarante satisfeito antes das canções “Além Do Que Se Vê”, “Todo Carnaval Tem Seu Fim” e “O Vento”. Mostrando o bom relacionamento do grupo, Camelo e Medina combinam de tocar a canção “Onze Dias”, pegando Amarante e o público de surpresa.

A pedido da plateia, os Los Hermanos abriram espaço para mais uma canção não programada. “Cara Estranho” aumentou o repertório do espetáculo da banda para mais de 30 grandes sucessos. Sem sombra de dúvidas, uma das mais especiais apresentações dos Los Hermanos.

Setor-VIP-Los-Hermanos-cantam-no-Anhembi-e-no-Espaco-das-Americas-em-Sao-Paulo

(Fotos: Cíntia Carvalho)

Quer mais? O Setor VIP estará presente na penúltima apresentação dos Los Hermanos, no Rio de Janeiro. As quatro datas da cidade – e últimos shows da turnê – estão esgotadas.