Velhice é retratada com leveza em filme francês “A Viagem de Meu Pai”

COLABORAÇÃO: Carol Thieri

(Foto: Divulgação)

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Depois de “As Mulheres do Sexto Andar” (2010) e “Pedalando com Molière” (2013), o diretor Phillipe Le Guay discute como a perda de memória influencia a vida de uma família, na comédia dramática “A Viagem de Meu Pai” (2015). O longa-metragem francês conta com os premiados Jean Rochefort e Anamaria Marinca no elenco. Rochefort recebeu o prêmio honorário César em 1999, na França, e conquistou os troféus de Melhor Ator no Lumiere Awards (2003), no Mystfest (1983) e no Montréal World Film Festival (1982). Marinca recebeu a Palma de Ouro por “4 meses, 3 semanas e 2 dias” em 2007, além de ter sido premiada como Melhor Atriz no Berlin Internacional Film Festival (2008), no Palm Springs Internacional Film Festival (2008), no BAFTA (2005) e no Monte-Carlo Festival (2005).

Aos 80 anos, Claude (Jean Rochefort) vive sozinho na França. Sua filha Carole (Sandrine Kiberlain) é uma mulher forte e respeitável, que equilibra a vida para dar atenção ao filho Robin (Clément Métayer), ao marido Thomas (Laurent Lucas) e ao cargo na presidência da indústria da família, que conquistou após a perda da sanidade do pai para administrar os negócios. Carole procura dar assistência para Claude, que é supervisionado por enfermeiras, como a responsável Ivona (Anamaria Marinca). Mesmo confuso, o senhor – que não aceita ser cuidado por ninguém – consegue pregar peças na doce profissional. A dificuldade de convivência com suas cuidadoras perturbam a filha, que é resistente à ideia de colocá-lo em uma residência para idosos. Sem valorizar a dedicação de Carole, Claude passa os dias falando de sua outra filha, Alice (Audrey Looten), que há anos foi morar nos Estados Unidos.

Philippe Le Guay é cuidadoso com a forma que desenvolve a trama de “A Viagem de Meu Pai”. Para não torná-la melodramática, o diretor intercala flashbacks da infância de Claude, assombrada pela guerra; com cenas no avião, onde o senhor insiste em dizer estar indo para Miami visitar uma de suas filhas; e momentos difíceis – alguns deles muito engraçados – de sua rotina na França. O relacionamento de pai e filha é observado com afeto. Mesmo com os lapsos de memória, Claude se mostra generoso e divertido.

O longa metragem perde a exatidão em sua edição cheia de arestas. Há diversos simbolismos, idas e vindas no tempo, e muitos personagens que, em alguns casos, somem de cena sem grandes explicações ou desfechos. “A Viagem de Meu Pai” é cansativo em determinados pontos, mas edifica a relação de pai e filha com o respeito que existe de ambas as partes. Carole compreende as condições e implicâncias do pai, enquanto Claude não julga a postura da filha. A ligação entre os dois, torna o filme sedutor e sofisticado.

“A Viagem de Meu Pai” tem trilha sonora assinada pelo chileno Jorge Arriagada, responsável pela sonorização de mais de 130 trabalhos em diversos países. Destaque para a faixa “For the Better”, do compositor inglês Max Brodie, principal canção do longa metragem.

(Foto: Divulgação)

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Em São Paulo, “A Viagem de Meu Pai” está em cartaz no Caixa Belas Artes. Consulte a programação através do site oficial do espaço. No Brasil, o filme pode ser visto em cidades como Curitiba, João Pessoa, Jundiaí, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Luís.