Vencedora do “Superstar”, Malta mostra que é a banda de rock mais pop do momento

COLABORAÇÃO: Leonardo Torres

Foto: André Lobo

Foto: André Lobo

Como é o show de uma banda de rock que ficou famosa graças a um reality show musical? Adriano Daga, Bruno Boncini, Diego Lopes e Thor Moraes têm a resposta. Eles formam a Malta, banda vencedora do programa de TV “Superstar”. Sucesso entre os telespectadores da Rede Globo, os músicos venderam 100 mil cópias do seu primeiro álbum, “Supernova”, em apenas uma semana. Ganharam disco de platina, assim, de cara. Mais pop impossível. Vai dizer que não? O show é reflexo disso. Ao menos, foi o que se viu na primeira apresentação da banda no Rio de Janeiro, mais precisamente no Vivo Rio, no dia 19.

A casa estava cheia e o público era heterogêneo. Crianças na cacunda dos pais, jovens casais abraçados, e adolescentes no gargarejo chamavam a atenção – resultado do sucesso conquistado em um programa de TV voltado para a família. Havia até uma galera com cartazes à la programa da Xuxa, o que pode ser um argumento forte para a teoria de que a Malta é a banda de rock mais pop do momento. O público dominava todas as músicas. Absolutamente todas, embora o álbum tenha sido lançado apenas duas semanas antes. Parece que, enfim, esse tipo de programa conseguiu emplacar um nome forte na indústria.

Veja um trecho da abertura do show:

E a Malta é rock de verdade. Rock pesado, às vezes. O show conta, por exemplo, com um solo do baterista Adriano. O mais interessante é que as pessoas não ficam entediadas. Bom performer, ele consegue prender atenção da plateia, enquanto os parceiros estão fora de cena. Há também outro número instrumental, com o vocalista Bruno ao violino, que é uma maravilha. Não deixa de ser interessante esse crossover oferecido ao público. Os telespectadores saem de casa para ouvir as músicas do reality – como “Memórias” e “Diz Pra Mim”, tocadas logo na primeira metade do show – e recebem um número instrumental de bônus. É quase como uma aula de instrução musical, divertida e prazerosa.

Todas as músicas do disco de estreia estão no setlist, acrescidas de alguns covers: “À Sua Maneira” (Capital Inicial), “We Will Rock You” (Queen), “Against All Odds” (Phil Collins) e “I Don’t Want to Miss a Thing” (Aerosmith). Super rock. Em outro momento, Bruno brinca que a maioria dos hits são apoiados nos mesmos quatro acordes, e apresenta um medley totalmente inusitado. Ele canta James Blunt, Jason Mraz, The Calling, Black Eyed Peas, U2, Lady Gaga, Maroon 5 e até Andrea Bocelli. Super pop.

Assista ao cover de “À Sua Maneira”:

Não parece, em momento algum, que a Malta se tornou mainstream há menos de seis meses, porque até o cenário é bacana. Bruno sabe conduzir um show com maestria, e mostra-se super à vontade no palco, rodando o fio do microfone como a bolsa de uma prostituta, e botando o público para cantar as músicas mais conhecidas. É interessante, também, que no caso dos singles “Memórias” e “Diz Pra Mim”, ele deixa que a plateia cante sozinha, antes de começar ele mesmo sua apresentação. Assim, a banda tem sua realização pessoal (uma casa cheia cantando suas composições na ponta da língua) e o público não se arrepende do ingresso pago (porque realmente ouve os hits na voz do Bruno). Um momento pop, também, é quando ele escolhe uma fã para subir no palco durante a música “Baby”. Igual o U2 fez no Morumbi. Ou a Katy Perry no Rock in Rio. Ou o Justin Bieber na Apoteose. Apenas exemplos…

O único incômodo do show são os intervalos entre uma música e outra. Parece que a banda não consegue fazer duas canções diretas e, no fim de cada número, apagam-se as luzes para que eles se preparem para a próxima faixa. Isso quebra um pouco o ritmo, mas é um problema técnico que deverão acertar ao longo da turnê. A agenda, aliás, está cheia até 20 de dezembro, com mais de 40 shows. Vai ter Malta para todo mundo.

Confira a canção “Memórias”:

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