Viva Michael! Cirque du Soleil exalta o maior artista de todos os tempos!

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Centenas de shows no mundo aproveitam-se da prematura partida do astro Michael Jackson (1958 — 2009) para lucrar com homenagens póstumas. A maioria não está à altura do Rei do Pop. Ao contrário da grande parte, a companhia canadense Cirque du Soleil criou o espetáculo “Michael Jackson ONE”, em cartaz exclusivamente no hotel Mandalay Bay, em Las Vegas.

Guiados pelo espírito de Michael Jackson, quatro amigos embarcam em uma aventura do bem contra o mal. Apesar de atrapalhados e fora dos padrões da sociedade, os personagens tem suas principais qualidades evidenciadas pelos acessórios mais característicos de Jackson: as meias brancas e o sapato preto permitem que Clumsy demonstre sua desenvoltura e agilidade; os óculos ensinam Shy a ter coragem e lutar por seus ideais; o chapéu coloca Smarty Pants para dançar com graça e beleza; e as luvas destacam o que há de melhor em Sneaky, o amor.

Em meio ao processo de descoberta e aceitação, os amigos lutam contra as forças do mal, que tem o propósito de roubar os objetos, descaracterizando suas identidades e desconstruindo seus ideais. Os inimigos são representados por paparazzis e os talismãs representam qualidades de Michael.

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“Don’t Stop ‘Til You Get Enough”, de “Off The Wall” (1979); “Beat It” e “Wanna Be Startin’ Somethin'”, de “Thriller” (1982); “The Way You Make Me Feel”, “Smooth Criminal” e “Dirty Diana”, de “Bad” (1987); “Black Or White”, “Jam” e “Remember The Time”, de “Dangerous” (1992); “Scream”, “Stranger In Moscow” e “They Don’t Care About Us”, de “HIStory: Past, Present and Future” (1995); e “2000 Watts”, de “Invincible” (2001), são algumas das canções que relembram toda a carreira adulta de Michael Jackson e que compõem o repertório de mais de 30 números. “I’ll Be There” e “Never Can Say Goodbye” são as responsáveis pela lembrança da fase ao lado dos irmãos no grupo The Jackson 5.

Em “Earth Song”, uma tela cobre completamente o palco e o elenco interpreta a história em uma belíssima apresentação com sombras. Enquanto acrobatas exibem-se, dezenas de zumbis dançam pelo teatro ao som de “Thriller”, um dos números de maior interação com a plateia. Em um dueto de arrepiar, a personagem Ngame e Michael Jackson interpretam “I Just Can’t Stop Loving You”. Sentada à lua, em uma referência ao rancho Neverland, a artista sobrevoa o teatro, enquanto neva sobre o público.

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A imagem de Michael Jackson é projetada no telão. Enquanto o artista dá vida à “Man In The Mirror”, o elenco interage com o holograma no número mais triste do espetáculo. A representação é tão real, que não há como não se questionar se o astro está realmente ao alcance de suas mãos. Inspirado na turnê “This Is It”, “Billie Jean” é o número mais bonito de “Michael Jackson ONE”. Com o público no escuro, as primeiras batidas da canção revelam um dos dançarinos no palco. A luz contorna a roupa e desenha a forma do bailarino. Um a um, os artistas vão sendo revelados enquanto as luzes piscam, aceleram e mudam de cor. O ápice? Só conferindo ao vivo para saber.

Criado para que o astro usasse durante o número de sua última turnê, o figurino de “Billie Jean” possui centenas de lâmpadas de LED que funcionam de forma independente. Os movimentos e as cores são pré determinados. Ao conferir a roupa ao vivo pela primeira vez, pouco antes de sua morte, Michael Jackson agradeceu aos engenheiros responsáveis pela criação por terem realizado um de seus maiores sonhos. Os figurinos, aliás, dão um show à parte: são mais de 1.150 peças! Só para ter uma ideia, os casacos em “Smooth Criminal” foram criados com um tecido francês que se estrutura no ar conforme a movimentação dos artistas, as capas dos paparazzis são formadas por matérias escandalosas sobre Michael Jackson em várias línguas e os chapéus usados durante o espetáculo foram feitos pelo mesmo artista que fazia os acessórios de Michael.

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Caminhando sozinhos, os sapatos de Michael Jackson entram em cena e ainda desafiam o público fazendo o famoso moonwalk. É a hora de “Bad” e de um número de slackline de prender a respiração. Foi com essa turma que Madonna trabalhou na famosa apresentação no “Superbowl Halftime Show” e, mais tarde, na “MDNA Tour” (2012).

Criado e dirigido por Jamie King, “Michael Jackson ONE” é o segundo show da companhia em homenagem ao cantor. O primeiro, “Michael Jackson THE IMMORTAL World Tour”, é um espetáculo itinerante. King deu vazão à criatividade em outras quatro turnês de Madonna: “Sticky & Sweet”, “Confessions”, “Re-Invention” e “Drowned World”. Além disso, o diretor trabalhou com grandes estrelas como Mariah Carey, Celine Dion, Rihanna, Elton John, Britney Spears, George Michael e Diana Ross.

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Rebatizado e reformulado para receber o 8° espetáculo residente do grupo na cidade americana, o Michael Jackson ONE Theatre, não conta com uma orquestra, apesar do show possuir números cantados ao vivo. Uma novidade para quem acompanha os espetáculos do Cirque du Soleil. Praticamente todas as canções do show são interpretadas por Michael.

O sistema de som usado em “Michael Jackson ONE” foi criado exclusivamente para o show pelo diretor musical Kevin Antunes e pelo designer de som Jonathan Deans. A ideia é que a audiência se sinta dentro da música. Cada um dos 1.804 lugares do teatro tem três caixas de som individuais – à esquerda, à direita e ao centro -, somando um total de 5.412 saídas apenas nos assentos. Estrategicamente posicionadas pelo espaço, centenas de caixas de som levam a música ao público por todos os ângulos. Caso houvesse uma orquestra, por exemplo, não haveria como saber em que lado estaria posicionada. Todos os instrumentos tem os sons reproduzidos por todos os lados. Além disso, o sistema surround permite que o barulho de um helicóptero comece girando pelas caixas do teatro como se estivesse longe e termine girando nas caixas dos assentos como no momento do pouso, tornando a experiência mais realista e com um som de proporções épicas.

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As risadas fora de hora e os sussurros inconfundíveis do astro arrepiam a plateia durante o espetáculo. O infantil Michael Jackson está ali, falando ao seu ouvido, divertindo-se com as confusões e arrumando ainda mais encrenca. Jackson está presente em centenas de detalhes: seus gritos representam o desamparo e a dor; suas mensagens de apoio, a face humanitária e ativista; sua silhueta expressa o amor e a dedicação à dança.

São mais de 60 dançarinos e acrobatas no elenco, focados em transmitir a força, o talento e a energia do artista. “Michael Jackson ONE” não é apenas uma jornada musical pela obra de Jackson, é a imersão em seu mundo, em seus pontos de vista e em seus desejos para as pessoas e para o planeta. Michael acreditava que não há diferença entre seres humanos, independente da raça ou da cultura. Visionário, o gênio da música transmitia em seu trabalho mensagens de união, harmonia e esperança, buscando a unificação das raças e combatendo qualquer tipo de preconceito. Assim nasceu o título do espetáculo: “ONE”. Com seu carisma arrebatador, sua voz única e sua performance inigualável, Michael buscava transmitir sua sabedoria e deixar marcada sua mensagem. “Nós estamos colocando amor de volta no mundo. Relembrando que o amor é importante. Amar uns aos outros. Nós somos um”. E é assim que acaba o espetáculo.

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“Michael Jackson ONE” está em cartaz no Mandalay Bay, em Las Vegas por tempo indeterminado. As performances acontecem de quinta à terça, às 19h00 e às 21h30. Aos domingos os horários mudam para às 16h30 e às 19h00. Os ingressos custam de $69 a $180 e não incluem as taxas e os impostos que nos Estados Unidos são sempre cobrados à parte. As entradas podem ser adquiridas com 120 dias de antecedência no site oficial do espetáculo. Imperdível!