Viviane Araújo: “Preconceito não me abala, me orgulho de tudo que fiz”

(Foto: Reprodução / Internet)

Viviane Araújo é a única mulher em um elenco formado por muitos homens. A atriz protagoniza “Lili Carabina”, uma obra de ficção escrita no final da década de 1970 por Aguinaldo Silva. O dramaturgo é o responsável por sua estreia em uma novela no horário nobre da Rede Globo, “Império” (2014). A participação da artista como a personagem Naná, rendeu reconhecimento positivo perante o público e à crítica, que a premiou com troféus de Atriz Revelação em eventos como o Prêmio Extra e o Prêmio Contigo!.

Nos bastidores do Teatro Jaraguá, em São Paulo, Viviane Araújo se mostra sorridente e bastante à vontade em meio aos colegas de profissão. Durante curta e exclusiva conversa com o Setor VIP, desconstrói a imagem de mulher descontraída e se mantém séria, pensa bem antes de expor suas opiniões e responde sempre com poucas palavras. “Ninguém havia marcado a entrevista com você, né?”, pergunto após uma rápida discussão entre artista e assessora. “Não”, responde de maneira lacônica. “Serei bastante breve. Há problema se eu gravar nossa conversa?”, questiono. “Não”, completa pontuando mais uma vez. Viviane mantém o semblante tranquilo, sorri discretamente em poucos momentos e se empolga apenas ao falar sobre o carnaval e sobre os colegas de elenco de “Lili Carabina”.

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Como está sendo protagonizar um espetáculo policial como “Lili Carabina”, principalmente sendo a única mulher no meio de um elenco tão grande?
Estou muito feliz. O espetáculo é muito gostoso de fazer e o elenco é muito unido! (empolgada) Não tem ninguém que tenha qualquer probleminha. Quando você trabalha com um elenco grande, sempre tem um ou outro que causa algum problema, mas a gente se dá super bem e essa energia boa que temos fora do palco transborda quando estamos em cena, sabe?

Sente um retorno especial em relação ao seu trabalho ao ser convidada por Aguinaldo Silva para mais um projeto?
Trabalhar com o Aguinaldo é um presente. Meu personagem na novela foi muito bacana, principalmente por causa da parceria que tive com o Aílton Graça. Nós nos demos super bem. Recebi vários prêmios de Atriz Revelação. (pausa) O Aguinaldo tem me dado oportunidades porque acredita no meu trabalho como atriz, sempre acreditou. O convite para “Lili Carabina” é mais um presente.

“Lili Carabina” é uma experiência bastante diferente dos seus trabalhos anteriores. Por exemplo, sua personagem em “Império”…
Já tinha feito teatro antes de fazer “Império”. Sempre gostei de fazer. Acho que o teatro te dá experiência, te possibilita aprender e… (pensativa) não exatamente criar, mas na televisão a coisa é mais contida, no teatro você poder fazer o que você quiser.

Além do teatro e da televisão, você ficou bastante conhecida como dançarina…
Não sou dançarina! Gosto de dançar, dancei a minha vida inteira, todo mundo sabe que eu amo samba, mas não sou formada em dança, em balé, em nada disso.

Era sobre sua experiência no carnaval que eu gostaria de falar…
Digo que o carnaval é minha cachaça! (risos) É minha paixão! (empolgada) Não que não me divirta fazendo meu trabalho, me divirto muito, mas é o meu trabalho. Embora eu tenha um comprometimento, o carnaval é uma diversão. Estar com a comunidade, nos ensaios e na avenida me deixa realizada, me emociona. É uma energia diferente, sabe? O carnaval faz parte da minha vida desde pequena e minha profissão, não. Desde pequena estou com meu pé no samba! (risos)

Por todas as suas inúmeras experiências opostas ao trabalho de atriz, você se sente mais julgada que outras pessoas ou alvo de algum tipo de preconceito?
Não, mas… (pensativa) é algo que não me afeta. Se tem ou se não tem preconceito, não me incomoda em nada. Me orgulho muito de onde eu vim. Se estou onde estou, foi por conta de tudo que fiz na minha vida, do meu histórico. Essa é uma questão que não me abala.

Você tem uma relação muito forte com o público, inclusive venceu “A Fazenda”, um reality show onde o prêmio é dado através de votação popular. O que você acha que traz essa identificação?
Reconheço que tenho carinho e proximidade com o público. Sou popular e, de uma certa forma, a popularidade ajuda no meu trabalho. O que faço é para o público, é para os meus fãs e eles merecem, porque eles me deram e me dão muita coisa. Só tenho que agradecer e que retribuir da melhor forma possível.

Entende a responsabilidade social que você tem como figura pública?
Recebo muitas mensagens de mulheres que me admiram, que dizem se inspirar em mim. Me sinto lisonjeada em poder de alguma forma ajudar mesmo que de longe, com um gesto, com uma palavra, com uma ação…

Ser exemplo alguma vez te incomodou?
Não. Fico muito feliz, é muito gratificante.

Já teve um grande fracasso na sua carreira?
Não, porque sempre… (pensativa) Tudo que fiz, se não deu certo, era porque não era para dar certo, mas enquanto eu fazia, estava tudo maravilhoso. Não vejo ou considero como fracasso.

Todas as experiências foram válidas?
Foram.

Sem desmerecer qualquer outro trabalho ou qualquer outra emissora, você se cobrou mais por estar em uma novela no horário nobre e, automaticamente, alcançar um número muito maior de pessoas?
Não me cobrei, me preparei para fazer bem. Eu pensei comigo: “tenho que estar bem, tenho que me preparar para fazer uma novela”. Me preocupei para poder fazer um trabalho onde eu pudesse realmente mostrar que sou uma atriz de fato, porque até então eu havia feito coisas pequenas, sem muita expressão na televisão.

Como você se preparou?
Estudei durante um ano com a atriz Camilla Amado, o que me ajudou bastante.

E hoje você se sente mais segura?
Não, o ator nunca se sente seguro de fato. Você recebe um trabalho, um personagem, mas não sabe como será. Depois que você adquire experiência, a insegurança vai amenizando, mas sempre terá um pouco.

Em “Lili Carabina” você interpreta uma criminosa que, em certo momento, visita seu parceiro na cadeia. Você utilizou experiências de seu passado para construir seu papel?
Sou muito instintiva e intuitiva. Sigo a minha intuição e não fico lembrando ou trazendo coisas que vivi, que passei para trazer algum tipo de emoção.

Em relação à sua carreira, tem algum sonho?
Não tenho. Quero continuar trabalhando.

Não tem um personagem dos sonhos?
Lili é o personagem dos meus sonhos. Estou tendo um grande privilégio de estar vivendo. Quero que venham personagens bons. (risos)

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“Lili Carabina” está em cartaz no Teatro Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71 – Bela Vista), em São Paulo, sextas (21h30), sábados (21h) e domingos (19h). As entradas custam de R$35,00 (meia) a R$80,00 (inteira) e podem ser encontradas no site oficial do Compre Ingressos. Classificação indicativa: 14 anos. Até 26 de novembro. Estrela1