Wanderléa, política e cinema se misturam em musical “60! Década de Arromba”

(Foto: Divulgação)

Ao entrar na sala principal do Theatro Net, em São Paulo, o público se perde na decoração criada para receber “60! Década de Arromba – Doc. Musical”. Em volta da borda de um gigantesco televisor, que emoldura o palco, estão diversas lembranças do período em questão. Eletrodomésticos, bicicletas, carrinhos de bebês, cadeiras, tabuleiros de futebol de botão, cartazes de filmes, discos e até parte de um fusca, preparam o espectador para a incalculável quantidade de informação que será passada durante as mais de três horas seguintes.

Um longo filme introduz a década de 60, resumindo a chegada do rádio no Brasil, o início da televisão e os principais acontecimentos dos anos 50. A partir de 1960, se inicia uma contagem progressiva, misturando projeções aos números musicais apresentados no palco. Não há falas e, muito menos, uma temática a ser seguida. Cinema, música, movimentos culturais e ideológicos, política, publicidade e qualquer outro assunto que o pesquisador e roteirista Marcos Nauer tenha achado relevante estão presentes. É um documentário sem um fio condutor discernível, mas nem por isso desinteressante. Muito pelo contrário, “60! Década de Arromba” é um espetáculo rico e bem organizado.

Com mais de 50 anos de carreira, Wanderléa ocupa o posto de grande estrela do musical “60! Década de Arromba”. Principal figura feminina da Jovem Guarda, a cantora se consagrou como uma das mais importantes militantes pelo direito da mulher nos anos 60 e, com a exposição ao lado de seus companheiros Roberto e Erasmo Carlos, Wanderléa emplacou no rádio e na televisão, músicas como “Pare o Casamento”, “Ternura” e “Prova de Fogo”, todas presentes no documentário musical. Extremamente carismática, a artista arranca aplausos fervorosos dos admiradores em suas aparições, seja pelos emblemáticos figurinos ou pela excelente forma física aos 70 anos.

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Apesar das mais de cem canções, falta clareza para explicar determinadas passagens, principalmente para o público que não viveu aquela época. “Aquarela do Brasil”, por exemplo, foi lançada em 1939. A cena pode fazer referência à Ditadura Militar (1964–1985), quando a canção se tornou hino de um dos movimentos contra o regime na voz de Elis Regina, ou ao falecimento do compositor Ary Barroso (1964). Ao invés de uma faixa da própria cantora, “Besame Mucho” (1940) está presente no repertório para ilustrar o sucesso de Maysa, que regravou o bolero em 1961. Além disso, há detalhes dissociados da época, como o lançamento da boneca Barbie (1959) e canções do grupo Jackson 5 gravadas em 1970.

Independente dos equívocos, “60! Década de Arromba – Doc. Musical” é um espetáculo que merece o sucesso de público. Dirigidos por Frederico Reder, 24 atores, cantores e bailarinos são acompanhados por 10 músicos em cenas eletrizantes, saudosistas e, por diversas vezes, emocionantes. Produzida pela Brain+ em parceria com a Reder Entretenimento, a superprodução conta com coreografias de Victor Maia, cenários assinados por Natália Lana e iluminação de Daniela Sanchez, além de mais de 300 figurinos criados por Bruno Perlatto.

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“60! Década de Arromba – Doc. Musical” está em cartaz no Theatro Net (Rua Olimpíadas, 360 – Itaim Bibi), em São Paulo, quintas (20h30), sextas (20h30), sábados (17h e 21h) e domingos (17h). As entradas custam de R$25 (meia) a R$200 (inteira) e podem ser encontradas no site oficial do Ingresso Rápido. “60! Década de Arromba” tem por volta de 3h15 de duração, incluindo um intervalo de 15 minutos. A classificação indicativa é para maiores de 12 anos. Até 28 de maio. Após a temporada paulista, o espetáculo rodará o Brasil. Estrela1 Estrela1 Estrela1

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