Wanderléa relembra Jovem Guarda no projeto “Notas Contemporâneas”

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Parte do projeto “Notas Contemporâneas”, a cantora Wanderléa esteve no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, na última quarta-feira (15). Criado para a manutenção e ampliação do acervo do MIS, o evento se divide em duas etapas: entrevista em estúdio e bate-papo com o público. Ambos são gravados e disponibilizados para pesquisadores e interessados. “Estou exaurida! Esse registro é maravilhoso, mas falei quatro horas sem parar!”, disse visivelmente cansada. Além da eterna Ternurinha – apelido conquistado durante a Jovem Guarda -, o MIS já recebeu Fagner, Adriana Calcanhotto, Zizi Possi, Luiz Melodia, Flávio Venturini, entre outros.

Apesar da exaustão e das constantes queixas, Wanderléa não tirou o sorriso do rosto e contou muitas histórias de sua infância, do início de sua carreira, da Jovem Guarda e da direção romântica que tomou sua estrada solo. “Tive uma carreira infantil muito bem sucedida, quando a Jovem Guarda me pegou eu já tinha uma experiência vasta, de veterana”, relembrou a mineira. A cantora começou cantando nas rádios aos 10 anos. “Nunca imaginei cantar rock. Era envolvida com tudo tradicional de rádio, blues, músicas americanas… A Jovem Guarda me pegou de uma forma muito linda, porque me trouxe uma liberdade de expressão grande e muito nova. Eu estava engessada naquele repertório. Não existia música para os jovens”.

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“Não existia rock’n’roll. Sempre gostei muito de dançar e eu achava que tinha que preencher aquele quadradinho”, contou sobre a criação de suas famosas coreografias no início de suas apresentações na TV. “No rádio eu tinha um microfone na frente, não precisava me mexer. Quando cheguei à televisão, treinava em frente ao espelho e inventava os movimentos. As possibilidades criativas naquela época eram incríveis porque não havia nada anterior. Tudo era novidade”, relembrou orgulhosa. “Eu trabalhava com o visual, com a expressão. Tudo o que eu vestia, o que eu fazia, era copiado pela juventude no país e percebemos que éramos influência. A partir daí a brincadeira ficou melhor! Foi muito divertido”.

Entre uma história e outra de sua carreira, Wanderléa não deixou de citar os famosos colegas e relembrou a difícil passagem do rock para a música romântica: “O Roberto e o Erasmo tiveram a influência de Elvis Presley. Nessa época eu era meio desligada. Quando tive a possibilidade de gravar, achei interessante o que a música me traria em performance, no palco, com a dança, mas sempre quis gravar músicas românticas e achavam que não iria funcionar. Consegui gravar ‘Foi Assim’ em 1967, 1968, para o meu filme ‘Juventude Ternura’ (1968) e foi um sucesso na época. Depois tive a alegria de ter essa música na novela da Rede Globo ‘Rainha da Sucata’ (1990). A mesma música, com a mesma intérprete, sucesso duas vezes em décadas diferentes. Isso é muito lindo!”, confessou emocionada. “As baladas tinham a possibilidade de seguir uma linha melódica, acompanhadas apenas pelo violão e acho que por isso ficaram até hoje”.

Além de seu legado que representa um movimento, Wanderléa é uma das cantoras mais populares do Brasil. Ícone da juventude e da moda dos anos 1960, a cantora foi mesmo copiada por todas as meninas daquela geração e consagrou o uso do vestido tubinho com botas cano alto. “Eu era a representante feminina dessa história. A primeira popstar feminina do Brasil”, brincou.

Wanderléa canta trecho de “Te Amo”:

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Na televisão brasileira, ao lado de Erasmo Carlos apresentou o programa “A Ternurinha e o Tremendão”, considerado até hoje uma das maiores audiências da TV Record. “Eu vivia com muito sono”, contou aos risos. “Não dava tempo de pensar em tudo que estava acontecendo. Tínhamos compromissos todos os dias, shows por todo o Brasil. Tínhamos uma vida restrita, diferente. Não podíamos andar na rua, tinham carros de bombeiro esperando por nós nos aeroportos. Acabamos nos acostumando”, disse. “Hoje percebo quanta coisa perdemos. Nós amávamos o que fazíamos, mas não tivemos uma vida muito natural. Por sorte, tive uma família com o pé no chão, em casa eu não tinha privilégios e isso foi uma forma saudável de viver isso tudo. Isso mexe com a sua estrutura emocional”.

Wanderléa gravou compositores como Caetano Veloso, Djavan, Egberto Gismonti, Gilberto Gil, Gonzaguinha, Jorge Mautner, Luiz Melodia, Raul Seixas e Zé Ramalho. “Fui a primeira artista a gravar Jorge Mautner e Djavan levou uma de suas composições na minha casa”, relembrou. Quem deseja mergulhar no universo da Ternurinha – e porque não da Jovem Guarda? -, vale a pena conferir o box recém lançado com seis CDs de toda a fase dos anos 70. Grande hits como “Vida Maneira”, “Quero Ser Locomotiva”, “Krioula”, “Pare o Casamento”, “Prova de Fogo” e “Te amo” estão presentes.

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