“Amor Profano” comemora visita do dramaturgo Motti Lerner ao Brasil

(Foto: Priscila Prade)

“Amor Profano” estreou em outubro de 2018, no Teatro Vivo, em São Paulo. Após o intervalo de fim de ano, o espetáculo desembarcou no Teatro Raul Cortez, localizado no prédio da Federação do Comércio, na Bela Vista. Na sexta-feira (01), a sessão acompanhada pelo Setor VIP contou com um atrativo especial: o dramaturgo israelense Motti Lerner assistiu à versão brasileira de seu espetáculo pela primeira vez e conversou com o público após a apresentação. O autor atuou como professor em universidades americanas, indianas e israelenses.

Vinte anos após a separação, Hanna (Vivianne Pasmanter) e Zvi (Marcello Airoldi) se reencontram para discutir a relação de seus filhos. Ambos se casaram novamente e seus relacionamentos renderam frutos. Contrariando as possibilidades, o filho dele conhece a filha dela e os jovens se apaixonam, criando na mãe a preocupação de que o casal enfrentará as mesmas dificuldades que os pais. Hanna mantém a fé e os costumes judeus ortodoxos, enquanto Zvi optou por abandonar as tradições judaicas, o que resultou na separação do casal.

(Foto: Priscila Prade)

“Amor Profano” discute principalmente o fanatismo religioso. Incansavelmente, o texto reafirma a posição de Zvi e, provavelmente de maneira involuntária, apresenta ao público o lado menos explorado da discussão: a intolerância religiosa. Tamanha insistência em convencer Hanna de seu posicionamento, mostra o personagem como alguém muito mais fanático que a ex-esposa, que segue as tradições judaicas à risca, se culpando e se castigando por eventuais deslizes cometidos durante a vida e colocando sua crença sempre em primeiro lugar.

Em um cenário ideal, a adaptação dirigida por Einat Falbel e traduzida por Debi Aronis e Diana D. Beresin seria 20 minutos mais curta. Apesar de inteligente e bastante interessante, o conteúdo do texto do personagem de Marcello Airoldi é extremamente repetitivo, quase insuportável. Figurinos e cenários são assinados por Zé Henrique de Paula. Embora bastante comuns, ambos estão completamente dentro do contexto. Na parte final da história, o cenário sofre uma mudança simples, mas bastante significativa para o espetáculo.

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(Foto: Priscila Prade)

“Amor Profano” está em cartaz no Teatro Raul Cortez (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista), em São Paulo, às sextas (21h), sábados (21h) e domingos (19h). As entradas custam de R$30,00 (meia) a R$70,00 (inteira) e podem ser encontradas através do site oficial do Ingresso Rápido. “Amor Profano” tem classificação indicativa para maiores de 12 anos e duração de 80 minutos. Todas as sextas-feiras o espetáculo possui intérprete de libras. Todas as apresentações possuem descritivo em braile. Até 24 de fevereiro. Estrela1 Estrela1 Estrela1