Antônio Fagundes aborda universo de deficientes auditivos em “Tribos”

Foto: João Caldas

Foto: João Caldas

A peça “Tribos” está em cartaz desde o dia 14 de setembro. Após a estreia, a intenção de realizar sessões acessíveis a deficientes auditivos e visuais tem se mantido. A abertura do projeto aconteceu no dia 26 do mesmo mês, quando se é comemorado o dia nacional do surdo. Em outubro, a sessão se repetiu e mais de 400 deficientes puderam acompanhar a história que faz parte da vida de todos eles. Agora, o elenco se prepara para, no dia 30 de novembro e no dia 14 de dezembro, repetirem a dose. Nas sessões acessíveis, intérpretes de LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais – estarão dispostos nas extremidades do palco traduzindo o espetáculo simultaneamente. Além disso, um número limitado de tablets contendo o texto na íntegra estará à disposição de quem não compreende os gestuais. Promovendo um evento ainda maior do que a ideia inicial, uma cabine com audiodescrição estará disposta para deficientes visuais: “Nós nos comprometermos a, daqui para a frente e sempre que possível, fazer espetáculos com esse tipo de auxílio aos deficientes”, conta Fagundes.

>> Assista ao trailer de “Quando Eu Era Vivo”, próximo filme de Antônio Fagundes.

Quem conhece o trabalho de Antônio Fagundes, sabe que os espetáculos em que se envolve são sinônimos de qualidade. Qualidade que ultrapassa sua impecável interpretação. Aos 64 anos, o ator inscreveu o projeto em programas de incentivo à cultura com isenção fiscal como Proac, do Estado, e a Rouanet, do Ministério da Cultura e embora autorizados a captar quase dois milhões de reais, a equipe resolveu produzir o espetáculo através de cooperativa quando, grosso modo, os atores tiram dinheiro de seu próprio bolso para a realização da peça: “Como não temos nenhum tipo de ajuda financeira, fica inviável viajar com a peça pelo Brasil, mas essa possibilidade ainda não está descartada”. “Tribos” não possui patrocinadores: “Pedimos que cada um da plateia traga cinco amigos. Outra saída é cada um voltar cinco vezes!”, brinca.

Foto: João Caldas

Foto: João Caldas

Embora sua atuação seja primorosa, Fagundes é apenas um dos atores em cena. O filho, Bruno Fagundes, surpreende no papel do surdo Billy, não só pela maneira cuidadosa que se expressa, mas por cada fala milimetricamente ensaiada para que seu personagem não pareça cômico: “Nos países em que a peça foi encenada, o ator que faz o Billy é realmente surdo, então comecei a ensaiar bem antes do que o elenco”, conta. Pai e filho trabalham juntos pela segunda vez. Em 2012, atuaram no espetáculo “Vermelho”, dirigidos por Jorge Takla. A nova empreitada partiu do garoto de 24 anos: “Assisti à peça em Nova York e fiquei apaixonado!”, conta Bruno. Outro destaque é a atriz Arieta Correa, que dá vida à Sylvia, menina que fica surda no decorrer da história. A linguagem de sinais – segunda língua oficial a ser reconhecida no Brasil, após o português e somente em 2002 – foi estudada e aprendida por ambos os artistas: “Se um surdo vier assistir à peça, ele vai olhar para mim e entender o que estou dizendo”, finaliza Bruno.

>> Leia a sinopse do espetáculo teatral “Tribos”.

Dirigido por Ulysses Cruz, a peça “Tribos” fica em cartaz até o dia 15 de dezembro e volta para uma nova temporada em 2014: “O mais bacana do espetáculo é que você pode substituir o deficiente auditivo por qualquer tribo e o texto se encaixa perfeitamente. É uma história sobre preconceito”, finaliza Antônio. Os ingressos vão de R$25,00 (meia) a R$60,00 (inteira) e podem ser adquiridos no Ingresso Rápido.

Mais informações através do Teatro TUCA ou no site oficial de “Tribos”.

Foto: João Caldas

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