Bronca e brinde surpreendem em estreia de turnê de Roberto Carlos

Algumas datas comemorativas vão além do evento comemorado. No Ano Novo, por exemplo, além da passagem do tempo, é época de rever a família, reunir os amigos, e relembrar histórias. Assim como a virada, há outras datas que trazem diversos significados. Para o público paulista o Dia das Mães – além de agradar a progenitora – transformou-se na oportunidade de estar junto ao “Rei” Roberto Carlos, em sua tradicional turnê do mês de maio.

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Faz tempo que o artista lota suas apresentações com facilidade. Ano após ano datas extras são abertas uma atrás da outra. Até o presente momento, quatro shows foram somados aos três iniciais. Na mesma época em 2013, foram onze no total. O artista mais romântico do Brasil, e um dos que mais entende do assunto no mundo, faz por merecer.

Não importa quantos anos de carreira Roberto tenha e qual é o tamanho de sua contribuição à música nacional. Se fosse só por seu trabalho nos dias de hoje, o título de “Rei” não só lhe cairia como uma luva, como lhe seria de merecimento inquestionável.

Com 50 minutos de atraso, o intérprete de “Emoções” subiu ao palco do Espaço das Américas ao som da canção que tornou-se um de seus grandes hinos. Vestindo um terno branco sobre uma camisa azul clara, Roberto saudou o público que ocupou cada cadeira da imensa casa.

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Seguindo o setlist usual de suas apresentações, “Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo”, “Além do Horizonte” e “Imoral, Ilegal ou Engorda” foram as primeiras canções executadas. Sentado ao violão, um dos momentos mais emocionantes da noite estava para acontecer. “Detalhes”, dedilhada carinhosamente no instrumento que lhe é comum, arrancou suspiros do público. Ao final, Roberto surpreendeu ao beijar o objeto como sinal de devoção e saudade do velho companheiro.

Em “Desabafo”, próxima música do espetáculo, o cantor brincou com o verso “mas sempre acabo em seus braços, na hora que você quer”, dizendo que não é bem assim e arrancou risos da plateia. “O Portão” e “Outra Vez” são as canções seguintes: “Ninguém vive isso sozinho. Como já vivemos juntos essa situação, vamos terminar juntos essa canção”, pede fazendo o público paulista cantar em uma só voz.

“Outra Vez”, “Lady Laura” e “Nossa Senhora” antecedem um dos momentos mais inusitados do show. Em um tipo de interlúdio, a orquestra do artista inicia “O Calhambeque” de forma rápida e alta e acompanhada por um show de luzes extremamente empolgante. Mesmo sem Roberto no palco, o público vibra e aplaude até que o dono de uma das canções mais famosas dos anos 60 retorne para dar voz ao hit.

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“Fiquei muito tempo sem cantar essa canção”, lamentou em relação à “Negro Gato”, outra grande surpresa da noite. Como é de conhecimento público, Roberto Carlos sofre de TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo – que não lhe permitia cantar coisas que julgasse de teor negativo. Em tratamento, o cantor mostra-se mais tranquilo e promete ainda muitas outras surpresas.

O ritmo contagiante de “Mulher Pequena” fez com o “Rei” arriscasse uma dança e se soltasse ainda mais para a próxima canção: “Eu era simples, de certa forma até inocente. Agora sou bonzinho, inocente não”, falou. “O que falta falar nessas canções? Descobri que faltava falar de sexo!”, contou levando a plateia feminina à loucura. Mesmo aos 73 anos, o charme do cantor é indiscutível: “Como falar de sexo se nem passei perto desse tema?”, brincou. “O que vão pensar de mim? Será que vou ficar falado na rua em que eu moro?”, finalizou antes de dar voz à uma das canções mais bonitas de sua carreira, “Proposta”.

“Esse Cara Sou Eu”, a melhor canção dos últimos 10 anos de carreira de Roberto, anunciava que o final do show estava próximo. Depois de apresentar os 16 músicos que o acompanham, um medley com músicas da Jovem Guarda como “É Proibido Fumar”, “Namoradinha De Um Amigo Meu” e “Quando” fez o público ficar de pé para aguardar a última parte do espetáculo. Disposto a surpreender, garçons invadiram o setor principal servindo bebidas para o público brindar com o artista durante a canção italiana “Champagne”, de Peppino di Capri. Surpreendidos pela canção que não faz parte do repertório usual de Roberto, a plateia permaneceu espremida na espera da clássica entrega de rosas. Visivelmente incomodado com a bagunça antecipada, o cantor resmungou, chamou atenção e pediu paciência dos fãs. Tudo com muita graça e educação, claro.

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Como não poderia deixar de ser, “Como é Grande o Meu Amor Por Você” e “Jesus Cristo” antecederam a entrega das flores que durou por dezenas de minutos. Simpático, o cantor recebeu inúmeros presentes e retribuiu com acenos, carinho e muitos sorrisos. Visivelmente feliz, Roberto Carlos deu ao público, mais uma vez, a garantia de que a espera por seu show – mesmo que muito parecido com qualquer apresentação anterior – vale cada minuto e cada centavo.

Com 98% dos ingressos esgotados, a turnê do cantor Roberto Carlos segue no Espaço das Américas, em São Paulo, nos dias 10, 11, 16, 17, 24 e 25 de maio. Os ingressos podem ser encontrados através do Ingresso Rápido.