“Green Book” conta história real de maneira sensível e inspiradora

(Foto: Divulgação)

O enorme sucesso conquistado por alguns longa-metragens indicados ao Oscar ocultou a merecida visibilidade de um dos melhores filmes da temporada. Baseado em fatos reais, “Green Book” acompanha a turnê do pianista Don Shirley (Mahershala Ali) pelo sul dos Estados Unidos em 1962. Em companhia do grosseiro Tony Vallelonga (Viggo Mortensen), o artista afro-americano vivencia experiências de hostilidade e violência, enquanto músico e motorista se permitem uma relação de amizade e, acima de tudo, respeito.

Em 1936, Victor Hugo Green criou o “The Negro Motorist Green Book” (“O Livro Verde do Motorista Negro”, em tradução literal). Chamado popularmente de “Green Book”, a publicação auxiliava afro-americanos a encontrar hotéis, restaurantes, postos de gasolina e quaisquer outros serviços dispostos a acolhê-los sem discriminação nos Estados Unidos. Em 1964, o presidente Lyndon Johnson, que assumiu o cargo após o assassinato de John F. Kennedy, assinou a Lei dos Direitos Civis, que pôs fim aos sistemas estaduais de segregação racial.

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“Green Book” é o primeiro longa-metragem dirigido por Peter Farrelly a concorrer a prêmios. Além do Oscar de Melhor Filme, o drama conquistou dezenas de indicações, vencendo o Globo de Ouro de Melhor Filme – Comédia ou Musical, entre outros. Sua experiência em produções populares, como “Debi & Lóide” (1994) e “Quem Vai Ficar com Mary?” (1998), contribuiu para que o longa-metragem tenha momentos cômicos, mas extremamente sensíveis, que não descaracterizam a história e auxiliam a contar o drama de maneira relativamente leve.

Co-escrito por Nick Vallelonga, filho de Tony, “Green Book” é protagonizado por Viggo Mortensen (da trilogia “O Senhor dos Anéis”) e Mahershala Ali (do premiado “Moonlight”). Não à toa, ambos estão indicados ao Oscar. Viggo Mortensen concorre na categoria Melhor Ator e Mahershala Ali como Melhor Ator Coadjuvante. O longa-metragem é co-estrelado por Linda Cardellini (conhecida principalmente pelos seis anos que protagonizou a série “ER”), como Dolores Vallelonga. “Green Book” custou cerca de US$23 milhões e conquistou mais de US$108 milhões.

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Após o lançamento de “Green Book”, parentes do músico acusaram os produtores do longa-metragem por não entrar em contato com a família para confirmar as histórias contadas no filme. Representantes do artista afirmaram que o motorista não passava de um empregado para o músico e que ambos nunca foram amigos. Em resposta às acusações, Nick Vallelonga confessou que os parentes do artista não foram procurados à pedido de Don Shirley.

“Há muitas informações que a família desconhece. Eles continuaram amigos e Don Shirley me pediu para que eu não conversasse com ninguém. ‘Ninguém estava na viagem além de seu pai e de mim. Nós te contamos como foi.’ Essas foram as exatas palavras que ele me disse. Don aprovou o que eu poderia colocar e o que eu não poderia colocar no filme. Não os procurei porque não quebraria minha promessa”, afirmou para a Variety.

“Seguimos o protocolo e conversamos com os herdeiros de Don Shirley, que não são os membros de sua família, mas seus amigos. Honestamente, acho estranho que seus parentes não acreditem no julgamento de Don Shirley para escolher as pessoas com quem convivia. Estivemos com os amigos mais próximos ao músico na época de sua morte e eles nos deram todas as informações que precisávamos”, completou Pete Farrelly.

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“Green Book” está em cartaz na Caixa Belas Artes (Rua da Consolação, 2.423 – Consolação), em São Paulo, todos os dias às 15h50, 18h20 e 20h50. Os ingressos custam de R$9,00 (meia) a R$30,00 (inteira) e podem ser encontrados através do site oficial da Caixa Belas Artes. “Green Book” tem duração de 130 minutos e classificação indicativa para maiores de 12 anos. Em cartaz por tempo indeterminado, consulte a programação.