Jorge Takla dirige Marília Gabriela em comédia de Tchekhov

“Elias e Patrícia e Marília e Bruno” acaba de estrear nos palcos do Teatro FAAP, em São Paulo. Ou melhor, “Vanya e Sonia e Masha e Spike”. O título faz referência aos personagens mais famosos do dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904). Vanya é Elias Andreato. Sonia é Patrícia Gasppar. Masha é Marília Gabriela. Spike é Bruno Narchi. Além deles, estão no espetáculo Bianca Tadini (Nina), Teca Pereira (Cassandra) e uma série de lembranças às obras do autor.

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“A Gaivota” (1896), “Tio Vânia” (1897), “As Três Irmãs” (1900) e “O Jardim das Cerejeiras” (1904) são apenas algumas das peças constantemente citadas no longo texto de Christopher Durang, com tradução de Bianca e Luciano Andrey. O universo de Tchekhov é usado apenas como base para o espetáculo; os personagens não tem as mesmas personalidades dos presentes em suas obras e não há qualquer referência às histórias de que saíram. Masha, por exemplo, pode ter sido livremente inspirada tanto na protagonista de “As Três Irmãs”, como na personagem de “A Gaivota”. O dramaturgo ainda repete o nome em diversas outras obras, característica comum em seus textos.

Na história, Masha – uma bem sucedida atriz – retorna à casa onde ainda moram seus irmãos de meia idade, Vanya e Sonia, acompanhada pelo novo namorado, o jovem e sensual Spike. No lugar onde viveu a infância, a artista conhece a empregada Cassandra e a vizinha Nina. Ciúme, egoísmo, depressão, comodismo e futilidade constroem a relação desse círculo de amigos incomum e destrutivo, tornando os diálogos dos personagens longos, mas muito engraçados.

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Marília Gabriela empresta sua figura altiva para a hollywoodiana protagonista. Suas experiências teatrais anteriores como “Esperando Beckett” (2001), “Lady Macbeth” (2006) e “Aquela Mulher” (2008) serviram para dar naturalidade às particularidades da direção de Jorge Takla. O diretor – que comemora 40 anos de carreira com sua primeira comédia – ousou na forma que construiu a interpretação forte e incisiva, quase agressiva, dos atores.

Além de Marília, destacam-se Bruno Narchi – que consegue evidenciar seu talento “apesar” de sua excelente forma física -, a doce Bianca Tadini e a engraçada Teca Pereira. O cenário criado por Attilio Baschera e por Gregorio Kramer e os figurinos assinados por Theodoro Cochrane são um evento à parte no espetáculo que ganhou o Tony Award de melhor peça em 2013.

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“Vanya e Sonia e Masha e Spike” está em cartaz no Teatro FAAP às sextas (21h00), sábados (17h00 e 21h00) e domingos (17h00). Os ingressos custam de R$50,00 (meia) a R$120,00 (inteira). Até 19 de julho.