Laura, Nívea, Etty, Miriam e grande elenco fazem história com “A Última Sessão”

Foto de divulgação de "A Última Sessão"

Foto de divulgação de “A Última Sessão”

Para um jornalista é difícil faltar as palavras. A possibilidade de algo indescritível é no mínimo enlouquecedora. Mas buscamos sempre experiências renovadoras, diferentes e criativas que nos façam pensar e colocar em prática tudo aquilo que treinamos por anos. Pois bem, chegou a hora de trabalhar. Não houve nos últimos anos algo tão especial quanto a reunião das grandes damas do teatro nacional Laura Cardoso, Nívea Maria, Etty Fraser e Miriam Mehler em um mesmo palco. Se somados o tempo de carreira de cada uma são 230 anos de muito trabalho. E de muitos trabalhos que provam o talento sobre-humano de cada uma.

Cena de "A Última Sessão"

Cena de “A Última Sessão”

Em “A Última Sessão” é possível observar a dama Laura Cardoso à vontade como se estivesse em sua casa. E está. Afinal, são quase 70 anos dedicados ao que tornou ela a atriz mais premiada do Brasil. Laura é ovacionada em cena. Arranca aplausos e olhares de admiração com a facilidade que uma criança se atrai por um arco-íris. E todos se mostram crianças ao acompanhar cada colorido movimento desse fenômeno em seu melhor trabalho. Laura se diverte, nos diverte, explica e ensina. É um prazer vê-la em cena. A atriz faz seu papel como se fosse sua primeira vez, como se não tivesse passado pelas extintas Tupi e Excelsior, como se não tivesse trabalhado nas maiores redes do país como a Record e a Cultura e como se, na Rede Globo, não tivesse tido atuações memoráveis como em “Rainha da Sucata” (1990), “Mulheres de Areia” (1993), “Esperança” (2002) e “Flor do Caribe” (2013). Só para citar alguns trabalhos. Merecidamente, Laura Cardoso recebeu em 2006 a Ordem do Mérito Cultural, das mãos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, homenagem do governo brasileiro por seu trabalho no teatro, na televisão e no cinema.

O que tem em comum os trabalhos “Anos Dourados” (1986), “Meu Bem, Meu Mal” (1990), “Pedra sobre Pedra” (1992), “Suave Veneno” (1999), “O Clone” (2001), “Celebridade” (2003), “Caminho das Índias” (2009) e “Salve Jorge” (2012)? Nívea Maria. Aos 66 anos, uma das atrizes mais espetaculares do país completa em 2014, 50 anos de carreira. Dentre os destaques de sua profissão estão a peça “A Partilha” (1997) e a minissérie “A Casa das Sete Mulheres” (2003), trabalho pelo qual recebeu o prêmio APCA de Melhor Atriz por sua personagem Dona Maria. Além, é claro, de “A Última Sessão”, onde Nívea aparece mais bonita do que nunca. De beleza invejável, postura refinada e atuação encantadora, a atriz soma ao espetáculo com sua generosidade e naturalidade impressionantes, transformando “A Última Sessão” em “a melhor sessão”.

Laura Cardoso (frente) e Nívea Maria (fundo) em cena de "A Última Sessão"

Laura Cardoso (frente) e Nívea Maria (fundo) em cena de “A Última Sessão”

Etty Fraser assusta ao aparecer em uma cadeira de rodas. O objeto no entanto é apenas para o conforto da atriz de 82 anos, uma das fundadoras do Teatro Oficina. Durante uma hora e meia, Etty mostra-se plena, potente e absurdamente engraçada. Sua personagem encanta e sua jovialidade nos enche de vontade de viver. Fraser – que começou fazendo teatro amador na Inglaterra – fez parte de grandes companhias como a Tônia-Celi-Autran (CTCA), criada por Tônia Carrero, Adolfo Celi e Paulo Autran em 1956 e do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) de Franco Zampari em 1948. Por esse último, por exemplo, passaram estrelas como Cacilda Becker, Fernanda Montenegro, Cleyde Yáconis, Nathalia Timberg, Tereza Rachel, Sérgio Britto, Jardel Filho, Sérgio Cardoso e Ítalo Rossi.

Fundadora do Teatro Paiol com Perry Salles, participante do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e do Teatro Oficina, Miriam Mehler integrou no primeiro ano de sua carreira o elenco da histórica montagem de “Eles Não Usam Black-Tie” de Gianfrancesco Guarnieri. Aos 78 anos, a espanhola nascida em Barcelona, mostra uma desenvoltura invejável. Com a vitalidade de uma adolescente, Miriam impressiona mesmo que seu talento tenha sido provado e comprovado em trabalhos como “O Direito de Nascer” (1978), “A História de Ana Raio e Zé Trovão” (1990), “Fascinação” (1998) e “Insensato Coração” (2011). Dirigida por Antunes Filho, Iacov Hillel e Jorge Takla, colega de Raul Cortez e Renata Sorrah, intérprete de Plínio Marcos e Nelson Rodrigues, Mehler tem bagagem e presenteia o público com sua vocação.

Da esquerda para a direita: Miriam Mehler, Yunes Chami, Laura Cardoso, Sylvio Zilber, Etty Fraser, Odilon Wagner, Nívea Maria, Gésio Amadeu, Sonia Guedes e Gabriela Rabelo

Da esquerda para a direita: Miriam Mehler, Yunes Chami, Laura Cardoso, Sylvio Zilber, Etty Fraser, Odilon Wagner, Nívea Maria, Gésio Amadeu, Sonia Guedes e Gabriela Rabelo

Escrita e dirigida por Odilon Wagner, “A Última Sessão” é, sem dúvidas, um acontecimento histórico pelo encontro de tão grandes e respeitados artistas brasileiros. A história se passa durante o almoço de domingo onde amigos entre 75 e 85 anos de idade costumam se reunir. Entre um assunto e outro, confissões são feitas em um ritmo cômico e contagiante. A força que cada profissional demonstra no palco encanta e emociona. Um texto que fala sobre maturidade, amor, valores e, acima de tudo, amizade em um momento da vida que muitos se vêem perdidos. “A Última Sessão” chega para mudar a história do teatro nacional e a cabeça de qualquer pessoa que encare a idade como o fim da vida.

Como se não fosse suficiente, o espetáculo ainda conta com os experientes Sylvio Zilber, Sonia Guedes, Gésio Amadeu, Yunes Chami e Gabriela Rabelo, além de uma participação – absolutamente dispensável – da cantora Marlene Collé. A importância do elenco é tão grande que há painéis espalhados pelo hall do teatro com um resumo da história de cada uma dessas estrelas. A atriz Beatriz Segall – um dos grandes nomes que constam nos agradecimentos do programa assim como Paulo Goulart, Nicete Bruno, Paulo Hesse e Lauro Cesar Muniz – fez questão de prestigiar os amigos lendo atentamente cada palavra. Tony Ramos, Irene Ravache, Ana Lúcia Torres e Maria Adelaide Amaral também foram conferir o espetáculo.

“A Última Sessão” está em cartaz no Teatro Frei Caneca, quintas (16h), sextas (21h), sábados (21h) e domingos (18h). Os ingressos custam de R$40,00 (meia) a R$80,00 (inteira) e podem ser comprados através do site Ingresso Rápido. Até o dia 27 de abril, mas não deixe para a última sessão as datas disponíveis estão praticamente esgotadas. Imperdível!