Maitê Proença brilha em espetáculo “À Beira do Abismo me Cresceram Asas”

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A atriz Maitê Proença sobe ao palco em “À Beira do Abismo me Cresceram Asas” para dar vida à Terezinha, uma senhora que vive em uma casa de repouso e aproveita seu tempo para dividir histórias com a alegre Valdina (Clarisse Derzié Luz). Sem papas nas línguas, as amigas falam sobre suas infâncias, casamentos, filhos, sexo, mudanças, sonhos, ganhos e perdas. Com muito humor e um toque de dramaticidade, o texto – criado por Maitê a partir de diversas histórias – é fácil e de identificação imediata do público, independente da idade. Um espetáculo sobre o tempo e sobre a vida que faz sorrir e pensar.

Apesar de dirigida por Clarice Niskier (da terrível “A Alma Imoral”) em parceria com a global, Maitê Proença e Clarisse Derzié Luz parecem tão à vontade no papel e contracenando uma com a outra, que não deve ter sido complicado dirigi-las. Além do mais, a dupla que sobe ao palco é velha conhecida. Não só trabalharam juntas em outros cinco projetos entre teatro e televisão, como ainda fazem parte uma da família da outra, confissão feita de forma descontraída no final do espetáculo quando a também escritora anunciou ser aniversário de Derzié Luz.

Além da visível cumplicidade das atrizes e do talento inegável de ambas, a beleza de Maitê chama atenção. Com 55 anos (e em cena como uma senhora de quase 90!), a intérprete das inesquecíveis Dona Beija (“Dona Beija”, 1986) e Helena (“Felicidade”, 1991) não aparenta mais do que 40. Ao vestir-se – ato que as atrizes fazem frente ao público durante a peça – é possível perceber a invejável forma física da atriz que tem quase 100 trabalhos no currículo, incluindo televisão, teatro e cinema.

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Quase nada na produção chama atenção. A iluminação desenhada por Jorginho de Carvalho parece a de uma sala comum e só se mostra presente ao refletir em papéis prateados que caem em determinada cena, causando um efeito quase emocionante para o ponto da história. O cenário de Cristina Novaes é tão simples que chega a ser dispensável. O grande destaque nesse ponto é o figurino impecável criado por Beth Filipecki. Apesar de peças-chave usualmente presentes no guarda-roupas de senhoras por volta dos 80 anos – como as interpretadas pelas atrizes -, os xales ganham um colorido especial e os casacos um corte diferente com detalhes encantadores.

A peça “À Beira do Abismo me Cresceram Asas” pode ser vista no Teatro Itália, localizado na Av. Ipiranga, 344. Sextas e sábados às 21h e domingos às 18h. Os valores dos ingressos vão de R$35,00 (meia) a R$80,00 (inteira). A comédia dramática fica em cartaz até o dia 10 de novembro em São Paulo.