Mariana Santos interpreta canções populares em “Só de Amor”

(Foto: Priscila Prade)

Depois de participar do sucesso “Atreva-se” (2012), dirigido por Jô Soares, e do espetáculo “A Comédia das Maldades” (2015), de Victor Garcia Peralta, Mariana Santos retorna aos palcos com o espetáculo “Só de Amor”. Conhecida nacionalmente por sua participação no programa “Amor & Sexo”, da Rede Globo, a atriz conquistou o público com sua sensata opinião ao discutir em rede nacional temas considerados tabus, como preconceito, erotismo, sexualidade e diversidade.

“Só de Amor” é o primeiro texto de autoria de Mariana Santos e o primeiro espetáculo dirigido por seu marido, o produtor Rodrigo Velloni. Na peça, a atriz interpreta Malu, uma cantora que tem uma crise de pânico durante um show e precisa controlar sua ansiedade em frente aos espectadores. Em cerca de uma hora, a artista apresenta cenas cômicas, improvisos, interações e números musicais. No geral, as piadas não são engraçadas o suficiente para que o público esboce mais que um tímido sorriso e o drama não tem profundidade para mexer com os sentimentos da plateia.

Classificada como “tragicomédia musical”, a peça não possui tempo suficiente para que a atriz esquente o público ao ponto de arrancar gargalhadas fervorosas e muito menos para fazer com que os espectadores mergulhem na história e se emocionem com as experiências da personagem. “Só de Amor” falha tanto na comédia, quanto na tragédia. Na parte musical, a artista interpreta versões de canções populares como “A Canoa Virou”, dando ainda menos sentido para o enredo.

(Foto: Priscila Prade)

Embora Mariana Santos seja uma figura essencial nos tempos atuais, “Só de Amor” é um espetáculo que não tem propósito ou não consegue deixá-lo claro aos espectadores. A atriz se dispõe a fazer graça sobre a Síndrome do Pânico, fato que lhe causou limitações pessoais e artísticas por muitos anos, mas que a plateia desconhece. Junto ao público, Mariana Santos não alcança qualquer que tenha sido seu objetivo ao montar o espetáculo. Nem o título faz sentido.

Receber o programa antes da peça estraga completamente o espetáculo. Tudo está escrito na ordem dos acontecimentos, incluindo finais de piadas. Quando a personagem fala que tem medo de palhaços, conta que uma vez se fantasiou e ficou com medo dela mesma. Está no programa. Quando a personagem pede para acender a luz da plateia, solicita que se apague novamente de imediato. Está no programa. Quando a personagem fala sobre sua experiência como Branca de Neve, conta que perde a paciência e joga um anão no público. Está no programa. Tudo está.

O cenário assinado por Chris Aizner e Nilton Aizner é formado por dezenas de lâmpadas tubulares dispostas diagonalmente nas extremidades do palco, que entretém o público em determinadas cenas. No fundo, o responsável pela sonorização do espetáculo permanece o tempo todo de costas para a plateia, em frente ao computador. Às vezes, a artista fala como se estivesse se dirigindo ao técnico, que permanece impassível. Se a intenção era ser engraçada, não funcionou.

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(Foto: Priscila Prade)

“Só de Amor” está em cartaz no Teatro Porto Seguro (Al. Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos), em São Paulo, às quartas (21h) e quintas (21h). As entradas custam de R$35,00 (meia) a R$80,00 (inteira) e podem ser encontradas através do site oficial da Tudus. “Só de Amor” tem classificação para maiores de 14 anos e duração de 60 minutos. Até 28 de março. Estrela1