Mikhail Baryshnikov e Willem Dafoe estreiam “The Old Woman” em São Paulo

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De 24 de julho a 03 de agosto, o Sesc Pinheiros, em São Paulo, recebe o espetáculo “The Old Woman” (“A Velha”) no palco do moderno e bem conservado Teatro Paulo Autran. O evento poderia passar despercebido se não fossem pelos grandes nomes da dramaturgia mundial envolvidos no projeto. Dirigidos por Robert Wilson, o bailarino Mikhail Baryshnikov e o ator Willem Dafoe tem a difícil tarefa de entreter o público com o texto – muitas vezes sem sentido – do americano Darryl Pinckney. Com praticamente todas as referências do chamado Teatro do Absurdo (basicamente a intenção de demonstrar o que não tem sentido), a dupla brinca em cena provando seu talento e divertindo a plateia que ri, principalmente, pela falta de entendimento.

Dividido em 12 cenas – sem contar a sinopse e o epílogo -, “The Old Woman” chama atenção pela direção de atores, mas não surpreende quem conhece o trabalho dos astros. Tanto Baryshnikov – que deixou clara a sua diplomática cautela em atuar ao lado do experiente ator -, quanto Dafoe exercem seus papéis de forma impecável como sempre. Os personagens, aliás, são trocados sem aviso prévio ou caracterização específica, o que causa ainda maior estranhamento durante o desenrolar da história, mas propõe um jogo cênico rico e, na maior parte do tempo, prazeroso. O destaque do espetáculo fica por conta da cenografia poética e moderna criada por Bob Wilson com colaboração de Annick Lavallée-Benny, da música de Hal Willner e da insuperável iluminação com conceito do diretor e desenhada por A. J. Weissbard. É possível ficar sem ar diversas vezes durante a 1 hora e 40 minutos do espetáculo só de observar o trabalho primoroso de Weissbard.

Observar em Dafoe – que trabalhou em gigantes sucessos do cinema como “Platoon” (1986), “O Paciente Inglês” (1996), “Homem-Aranha” (2002), “O Aviador” (2004) e “Anticristo” (2009) – o esforço para acompanhar exatamente os delicados e precisos movimentos de mãos e pés de Baryshnikov é emocionante. O bailarino, por sua vez, se entrega sem medo nas cenas mais esquisitas, comprovando que sua aptidão para as artes cênicas são condizentes com o tamanho e com a dificuldade do trabalho proposto. Tal entrega de ambos os profissionais criam uma atmosfera de perfeita sintonia e transformam “The Old Womam” em um espetáculo possível de se ver mais de uma vez. “A Velha” possui legenda para quem não entende inglês (e algumas falas em russo!) e os ingressos – inclusive um segundo e definitivo lote – estão todos esgotados.

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