O amor, a luxúria, a fé e os sonhos do 30 Seconds To Mars

Se existe algum show capaz de deixar o público literalmente sem respirar, esse show é comandado pelo Thirty Seconds To Mars: “O ar condicionado quebrou?”, questionou o vocalista Jared Leto em meio a muitos palavrões. “Não sejam mesquinhos, coloquem o ar condicionado no máximo!”, esbravejou. Apesar do calor que fazia em São Paulo, a culpa da temperatura era, em parte, da banda.

Não foram precisos 30 segundos para os americanos conquistarem o público. Do momento em que subiram ao palco até a última estrofe da canção final, a plateia urrou as músicas, bateu palmas incansavelmente e pulou ignorando o calor. Se o Espaço das Américas pudesse explodir, tinha explodido durante a noite de quinta-feira (16). Envolvido em causas ambientais, Jared não se preocupa só com o meio ambiente e sai em defesa de seus admiradores: “Está muito quente, tragam água para quem quiser! Eles pagaram caro para estar aqui!”.

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Dezenas de pessoas podiam ser vistas sendo carregadas pelos bombeiros que agiam rápido, antes mesmo da apresentação começar. Era praticamente impossível achar alguém que não estivesse com o símbolo da banda desenhado no rosto, pendurado no pescoço, impresso na camiseta ou carregado com orgulho em qualquer parte do corpo. A histeria lembra os tempos áureos do cantor Michael Jackson (1958 – 2009). Difícil não se emocionar.

Ao som de “O Fortuna”, poema de Carmina Burana musicalizado por Carl Orff, o Thirty Seconds To Mars foi recebido pelo público de 7 mil pessoas que esgotou os ingressos há meses. Marcada inicialmente para o dia 13 de maio, a passagem da “Love Lust Faith + Dreams Tour” em São Paulo foi adiada por problemas de saúde, fato que deixou os fãs do trio ainda mais ansiosos para o evento. Ao som de “Up In The Air”, a banda mostrou que está curada de qualquer empecilho que os tenha impedido de festejar antes com a plateia brasileira.

Confira um trecho do show de luzes de “Up In The Air”:

Vestindo um sobretudo branco sobre uma espécie de túnica, com uma coroa dourada em cima de seus cabelos longos, Jared Leto parece ter saído do musical da Broadway “Jesus Cristo Superstar”. Os óculos escuros e a pose de rockstar convencem que o músico não quer ocupar o lugar da figura religiosa. Quer o seu próprio. “Olá!”, diz em português para saudar o público. “É muito bom estar de volta em São Paulo, vou até tirar meus óculos para ver vocês. Como estão?”, pergunta antes de agradecer também em português.

Formado por Jared Leto, por seu irmão Shannon Leto e pelo mais recente integrante Tomo Milicevic, o Thirty Seconds To Mars mostrou uma energia inesgotável ao apresentar canções como “Search and Destroy”, “Conquistador”, “Kings and Queens”, “Do Or Die”, “City of Angels”, “L490”, “Hurricane”, “Alibi”, “The Kill”, “Bright Lights”, “From Yesterday” e “Cowboys From Hell”. Com várias surpresas, o repertório da banda incluiu músicas dos três últimos trabalhos de estúdio: “A Beautiful Lie” (2005), “This is War” (2009) e, claro, “Love Lust Faith + Dreams” (2013). Apenas o primeiro disco, “30 Seconds To Mars” (2002), não foi relembrado.

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Quem nunca havia visto uma apresentação da banda com certeza se surpreendeu. Afinal, rockstars também podem ser pop? Eles provam que sim. Sem perder as raízes, o trio inicia um show de efeitos com a tradicional chuva de balões coloridos em “This is War”. Da canção em diante são chuvas de papéis picados, explosões, fumaça, iluminação de tirar o fôlego e muita interação com a plateia: “Quantas pessoas estão gritando por não estarem entendendo o que eu estou dizendo?”, brincou. “Quem aqui foi ao Rock in Rio? Nós gostaríamos de tocar de novo. Vamos fazer um abaixo-assinado online?”, pediu aos fãs que reagiram animados.

Sem camisa, Jared mostrou sua forma física impecável, carregou uma bandeira do Brasil, filmou o público (“Querem que eu poste esse vídeo no Snapchat ou no Instagram?”) e agradeceu incansavelmente: “Obrigado pela energia, paixão, insanidade, dedicação e compromisso de vocês. Vocês são uma das melhores plateias do mundo. Eu amo, amo, amo vocês!”. Antes de finalizar a apresentação com “Closer to the Edge”, o Thirty Seconds To Mars encheu o palco com o maior número de fãs possível e avisou que autografaria camisetas no saguão da casa.

Jared Leto carrega bandeira do Brasil em “Do Or Die”:

Após uma hora e quarenta, os americanos deixaram o público querendo mais. Quer saber a verdade? Independente da duração do espetáculo, Thirty Seconds To Mars nunca seria suficiente.

A banda Thirty Seconds To Mars apresenta-se ainda dias 18 e 19 de outubro na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro e dia 21 de outubro na Ópera Hall, em Brasília.