O conflito de gerações em “Três Dias de Chuva”

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Não estava chovendo, mas fazia muito frio. Os paulistas que saíram de casa para assistir a estreia de “Três Dias de Chuva”, no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, tinham certeza de que valeria à pena. E valeu! A comédia romântica escrita pelo americano Richard Greenberg foi traduzida, adaptada e dirigida por Jô Soares. “É uma tarefa exaustiva, são meses de trabalho torcendo para que tudo se resolva com sucesso em duas horas de espetáculo”, afirma. “Descobri três atores incríveis que, além do talento, são de uma dedicação sem limites” se derrete em relação ao elenco formado por ninguém menos que Carolina Ferraz, Otávio Martins e Petrônio Gontijo. “Temos um grande texto nas mãos, cheio de sutilezas e curvas suaves, com descobertas muitas vezes desconcertantes”, conta Carolina. “Vejo nesse trabalho uma grande oportunidade como atriz de me superar”, afirma.

Em 1995 – o 1º ato da peça -, após a morte do pai, os irmãos Anna (Carolina Ferraz) e Walker (Otávio Martins) se juntam ao filho do falecido sócio de seu pai e amigo de infância, Pip (Petrônio Gontijo), para a partilha de bens. Após a leitura do testamento, repensam seus passados e julgam os atos de seus familiares. No 2º ato, os sócios Ned (Otávio Martins, pai de seu personagem e do de Carolina no 1º ato) e Theo (Petrônio Gontijo, pai de seu personagem na primeira parte do espetáculo), se vêem perdidos ao tentarem dar rumo às suas vidas pós-faculdade. Lina (Carolina Ferraz, mãe de sua personagem e do personagem de Otávio), uma mulher cheia de vida, se mostra dividida entre duas personalidades tão diferentes.

O que já é difícil explicar claramente em palavras, não deve ter sido fácil montar no palco. A história dessas duas gerações que se enxergam de maneiras completamente diferentes é apresentada de forma clara e emocionante. É preciso ficar atento as sutilezas do inteligente texto para que tudo fique ainda mais interessante. O belo cenário de Marco Lima – que dá vida ao galpão em que os personagens se encontram em épocas diferentes – e o figurino impecável de ambas as décadas criado por Fábio Namatame, servem de base para que os atores se sintam ainda mais à vontade em seus papéis. Os três parecem ter uma ligação muito forte não só entre si, mas com a própria história, o que faz de “Três Dias de Chuva” um espetáculo ainda mais envolvente.

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“Três Dias de Chuva” fica em cartaz no Teatro Raul Cortez, que se localiza dentro do prédio da Federação do Comércio de São Paulo, até dia 15 de dezembro. Sextas (21h30), sábados (21h00) e domingos (19h00) de R$ 30,00 (meia) a R$ 70,00 (inteira). Vendas através do site oficial do Ingresso Rápido. Mais informações na página oficial de “Três Dias de Chuva”.