Texto de Walcyr Carrasco conta história de Nossa Senhora Aparecida

(Foto: Adriano Dória)

Em 1717, Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves desciam o Rio Paraíba, em Guaratinguetá, em busca de peixes para oferecer a Dom Pedro de Almeida, conde de Assumar e governante da capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Após várias tentativas sem sucesso, os pescadores rezaram para Maria. Ao invés de peixes, os homens pescaram uma imagem de Maria sem a cabeça. Na tentativa seguinte, a rede trouxe aos pescadores o topo da imagem.

Então, os homens apanharam uma quantidade tão grande de peixes que quase afundou a embarcação. Popularmente chamado de “Milagre dos Peixes”, o acontecimento é considerado a primeira intervenção de Nossa Senhora Aparecida. Além de uma intervenção desconhecida pela maioria do público, as principais histórias e os mais marcantes milagres atribuídos à padroeira do Brasil são contados no musical “Aparecida”, em cartaz no Teatro Bradesco, em São Paulo.

(Foto: Adriano Dória)

Escrito por Walcyr Carrasco (responsável pela novela “A Padroeira”, exibida pela Rede Globo em 2001) e dirigido por Fernanda Chamma (de “Os Dez Mandamentos”), o espetáculo conquista principalmente o público devoto de Nossa Senhora Aparecida. Para os espectadores que buscam entretenimento, “Aparecida” apresenta números interessantes como a abertura, o “Milagre das Velas” e a cena em que a imagem recebe o manto e a coroa de Princesa Isabel.

No elenco formado por mais de trinta artistas, destacam-se Ana Araújo, André Torquato e Keila Bueno. Apesar da eficiente direção musical assinada por Carlos Bauzys, as canções são o grande equívoco do espetáculo. Escritas por Ricardo Severo, as letras possuem refrões que fazem com que os personagens repitam exatamente as mesmas falas durante a execução da música. Em cerca de duas horas de espetáculo, “Aparecida” possui vinte músicas originais.

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Embora haja uma incontestável evolução na direção de Fernanda Chamma se comparado ao musical “Os Dez Mandamentos”, “Aparecida” não é um espetáculo harmonioso. Figurinos visualmente bonitos (de Fábio Namatame), mas que fogem à proposta do musical, e coreografias sem sentido diminuem a credibilidade de “Aparecida”.

Os cenários criados por Richard Luiz são responsáveis pelo dinamismo de “Aparecida”. A residência dos protagonistas ocupa apenas o lado direito do palco, deixando o esquerdo vazio. O contrário acontece durante a reconstrução da imagem de Nossa Senhora. Na cena em que a imagem é destruída, a Basílica ocupa completamente o palco. Pouco antes do fim, o protagonista executa um número em um espaço completamente vazio.

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(Foto: Adriano Dória)

“Aparecida” está em cartaz no Teatro Bradesco (Rua Palestra Itália, 500 – Perdizes), em São Paulo, às sextas (21h00), sábados (16h00 e 21h00) e domingos (15h00 e 19h30). As entradas custam de R$37,50 (meia) a R$220,00 (inteira) e podem ser encontradas no site oficial do Uhuu. “Aparecida” tem classificação indicativa livre e duração de 135 minutos, incluindo um intervalo de 15 minutos. Inicialmente até 23 de junho. Estrela1 Estrela1